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Aprenda a levitar

Gravidade: apenas uma teoria

Quando eu era adolescente, implicava com a lei da gravidade. Coisas da adolescência. Achava a gravidade opressora. Que merda de lei é essa que me obriga a ficar colada no chão?, esbravejava. Passava por uma coisa anarquista. Abaixo todas as leis! As do homem e as da natureza. Ai, adolescentes…

Isso aí passou. Mas eu continuo embirrada com a gravidade. Só que agora é uma birra mais simbólica. Uma birra com o que é pesado. É claro que tem horas que não tem jeito. E a vida vem com umas caixinhas pesadas: tó, taí, não aguenta?, te vira. Mas eu acho mesmo que pode ser uma decisão sua: deixar aquilo pesar ou deixar tudo passar levinho.

Meu psicanalista, sim, sempre ele, tem uma boa. É mais ou menos assim:

– Sabe aquela música da Maysa, um bolerão que diz: ‘Se meu mundo caiu/Eu que aprenda a levantar’? Tem uma versão linda, do Zé Miguel Wisnik, que diz: ‘Se meu mundo cair/Eu que aprenda a levitar’

Quando as coisas pesam, é só se concentrar: levita, vai, levita…
Elas passarão e você passarinho!

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O fim da inveja do pênis

E esse nome? Oi Girl. Quando vi, achei que fosse coisa da operadora...

A inveja do pênis desafia pensadores há muito tempo. Mas esse problema acabou. O pênis agora pode ser comprado. Ao menos um pênis que resolve a principal questão que fazia que mulheres sentissem inveja do pênis: mijar de pé.

Por menos de R$ 50 você leva para casa esse lindo funil/pênis de silicone medicinal (é assim que o release descreve o material usado) rosa-pink. E com esse lindo funil/pênis devidamente localizado no lugar certo, você, mulher, pode mijar de pé.

Eu sempre quis mijar de pé, não por nenhuma questão psicanalítica, mas apenas para poder mijar na rua quando não tem sinal de banheiro por perto. Ser mulher e querer fazer um xixi de urgência é grave. Se você estiver de saia, pode ir num cantinho, puxar a calcinha pro lado e mandar bala. Mas o jato é pouco controlado e a chance de você molhar pernas, pés, saia e calcinha são grandes.

O pênis de silicone medicinal rosa-pink está à venda num sex-shop (!?) chamado Loja do Prazer.



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Você está siri-mole hoje?

Sabe quando a vida vai indo, está tudo bem, mas aí vem alguma coisa que dá uma sensação de fragilidade? Uma solidão chatinha, besta, porque no fundo vai tudo bem. Mas ela está lá. E você sabe bem disso. E daí vêm aqueles dias de ficar em casa, que parecem por opção (vou ficar em casa porque quero), mas no fundo no fundo você fica pensando que ninguem ligou, nenhum SMS chegou, nem e-mail, nem nada.

Todo mundo já passou por isso. É uma tristezinha tonta. Parece que a pele tá menos dura, que a casca amoleceu, parece um intervalo.

Pois aqui vai a teoria do dia, que eu também roubei da terapia (veja a outra teoria roubada da terapia aqui), porque o meu psicanalista é cheio de teorias boas. E como eu pago para ele, acho que isso inclui direitos autorais.

Uma vez eu estava lá toda tristonha e alquebrada e o cara sacou essa historinha da manga:

– “Helô, você já comeu siri-mole?”
– Já.
– “Sabe a história do siri-mole?”
– Não.
– “O siri, quando ele vai crescendo, precisa trocar de casca, porque a casca dele não cresce. Então, ele cresce, cresce e cresce lá dentro. E quando a casca não serve mais, ele joga ela fora e começa a fazer outra. Só que entre a velha e a nova, ele fica sem casca, fica exposto e desprotegido. Você está siri-mole.”

Não é lindo? Eu acho lindo. E por isso fiz a gentileza de postar aqui esse lindo vídeo que ilustra perfeitamente essa linda história:

Isso é um caranguejo-aranha-gigante se desfazendo da casca e virando caranguejo-aranha-gigante-e-mole.
Via Pink Tentacle

PS: Não é lindo? A hora que o siri não cabe mais em si…

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Sintonia orbital

Eu sou cheia da teorias. Coisa de quem simpatiza com a mesa de bar. Filosofia de boteco é comigo mesma. Psicologia de bêbado então, minha especialidade. Mas essa teoria que eu vou apresentar não é nem uma nem outra. Essa nem é tão minha assim. Quem soprou foi meu psicanalista.

A teoria compara o relacimento de casais com a órbita entre corpos celestes. Lembra a gravidade ela acontece não apenas para puxar você para o chão (maldição, maldição) mas também para atrair corpos uns aos outros. Pois bem, daí vem a órbita. E daí vem a teoria da terapia: os casais são como corpos celestes em órbita. Se ficam muito próximos, correm o risco de colidir. Se a distância fica muito grande, eles saem da órbita um do outro. É simples e bonita essa teoria. E o videozinho aqui debaixo, feito por Terry Dankowych, da Vancouver Film School, também.

Analise o analista: Arrr(a)m

Se tudo correr como planejado, toda semana entrará no ar aqui um post da série “Analise o Analista”, dedicada a avaliar o desempenho de psicoterapeutas de seriados (Paul Weston, Gina, Jennifer Melfi, Elliot e Frasier serão os primeiros).

Tudo começou com o Paul Weston. (Se você não sabe quem é Paul Weston vá à locadora ou à internet e alugue ou baixe as duas temporadas de Intreatment, sobre um psicoterapeuta fodão e seus pacientes destrambelhados. Cada dia é um paciente. E na sexta ele vai à terapia.)

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Estou adorando desenhar no Pixlr.com

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Mas como eu ia dizendo, tudo começou com o Paul Weston. Comecei a ver a série e de repente ele fez um “arrrr(a)n” (o a está entre parênteses porque ele é fraco, não é um a cheio, é um a meio murcho) que teve um estranho efeito sobre mim. Deixei passar e continuei vendo episódio, o primeiro de todos, com a Laura (uma paciente gata, médica, com boca à la Johannson). E veio outro “arrr(a)n”. Mesmo efeito estranho, mas segui em frente. E veio o terceiro e, PUTAQUEOPARIU, eu percebi o que estava acontecendo. Era um “arrr(a)n” igual ao que o meu psicoterapeuta faz. A diferença é que o meu psicoterapeuta fala português (isso é bom) e não é gato como o Gabriel Byrne ; )
(AE! Sarah Palin!)

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Pois aquele “arrr(a)n” me inquietou. Será que o meu psicoterapeuta copia o Paul Weston? Descartei essa hipótese de cara, porque ele faz “arrr(a)n” desde antes do lançamento da série. Será que o Paul Weston imita o meu psicoterapeuta? Essa eu achei uma boa. Será que o “arrr(a)n” é um enlatado da psicoterapia, uma espécie de atum no óleo comestível dos momentos de tédio? Ó, não pode ser!

Na minha seção seguinte, nem dei oi direito e já fui perguntando: Você assiste àquela série de terapia? E ele: sim, mas qual delas? E eu: Intreatment. E ele: Ah, sim, muito boa. E eu: Pois bem, então me explica o “arrran” (eu não consigo fazer igual, por isso meu a está fora de parênteses)? E ele: “arrr(a)n” (IGUALZINHO). E eu: ÉÉÉÉÉ. E ele: risos.

Daí, eu juro que tudo isso é a mais pura verdade, ele me explicou. O tal “arrr(a)n” é uma técnica. Para manter o paciente falando. Tem algo de “siga adiante”, um toque de “eu entendo” e uma pitada de “concordo”. Segundo ele, o “arrr(a)n” está saindo de moda, sendo substituído por “entendo”. Eu acho isso uma pena. Primeiro porque “entendo” é só “entendo” e “arrr(a)n” é mais amplo. Segundo, porque “arrr(a)n” é universal. “Entendo”, dito por Paul Weston, seria “I see” ou algo assim, e eu nunca teria juntado lé com cré e essa conversa nunca teria acontecido e esse post não exisitiria e a intenção de analisar analistas de ficção nunca teria me ocorrido (e estaria desfeita a conexão entre o consultório dele em Baltimore, eu estava vendo a primeira temporada, e o consultório do meu psicoterapeuta em São Paulo).

Enfim, o “arrr(a)n”, para mim, nunca mais foi o mesmo. Semana que vem acho que falo mais do Paul Weston. O pacote das temporadas de Sopranos está quase terminando de baixar. O das temporadas de Frasier ainda está na metade.

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PS: Essa linda cabeça rolante aqui de cima é da Veri, tem muitas outras e muitas outras ilustrações muito legais lá no Dona Margot

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