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Só a ficção salva

Se você não viu À Prova de Morte, do Tarantino, pare de ler esse post aqui porque eu vou contar tudo o que acontece no filme, para provar a minha teoria no final.

Mas se quiser dar uma espiada no vídeo para sacar a do filme, eu só vou spoilar dali pra baixo.


Aliás, se eu fosse você, ia conferir também o Catodic Musik, blog novo do Celso e da Veri: músicas boas em vídeos bons.

A minha teoria sobre o filme do Tarantino é que ele é sobre o seguinte tema: só a ficção salva.

Na primeira parte do filme, as mulheres, apesar de estonteantemente maravilhosamente gostosas e incríveis, são reais. E a câmera fica lembrando disso o tempo inteiro, quando filma os gordinhos das bundas delas, a textura imperfeita do alto da coxa, a barriguinha que escapa pelo cós do short. São mulheres que poderiam, sim, estar bebendo num boteco no Texas. E elas morrem. Espatifadas, inclusive. Sem chance de reação. Pá-pum.

Na segunda parte do filme, as mulheres são do cinema, elas trabalham com cinema, elas têm corpo de mulher do cinema, especialmente as duas que têm franja – pernas longuíssimas e finas, corpo de modelo etc. É improvável encontrar com elas numa loja de posto no Tennessee. E elas não morrem. Pelo contrário. Com direito a perseguição de carros e golpes de artes marciais, elas matam.

Moral da história: só a ficção salva.

PS1: Em tempo, eu adorei o filme e recomendo.
PS2: Reparou que a Zoe Bell, nos créditos, aparece como “as herself”? Vai atrás, ela é uma dublê fodona.

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