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Submersa na cerveja

Essa obviamente não sou eu, mas tá tudo aí. A banheira, a cerveja, a torneira e o chope servido durante o banho

Foi uma experiência espumante. Eu hesitei, por não estar com a depilação em dia. Mas consegui dobrar meus pudores e mergulhar nesse passeio singular. Na viagem que fiz à República Tcheca, uma das paradas foi no bucólico vilarejo de Chodova Plana. Eu fiquei hospedada no Hotel Spa U Sladka. E lá a especialidade é banho de cerveja.

Eu cheguei ao espaço do spa, recebi um lençol branco e fui conduzida ao trocador. Tirei a roupa, me embrulhei no lençol e fui guiada uma banheira metálica cheia de cerveja meio escura. Meu primeiro temor foi ficar com cheiro de Quarta-Feira de Cinzas, aquele odor de cerveja amanhecida. Mas o cheiro não passava nem perto de nada azedo, era meio adocicado até.

O cenário tinha um quê hospitalar, com cortinas separando os ‘leitos’. Entre três cortinas (o outro lado era a parede) havia a banheira metálica com chopeira no lugar da torneira e um banco com um canecão de chope gelado. Me desenrolei do lençol e entrei na banheira de cerveja morna. A espuma da cerveja parece quando você é criança e coloca xampu na banheira pra fazer espuma. Ela dá umas estaladinhas. O banho dura vinte minutos. E quando dá dez minutos a mulher entra ali e troca o chope por um novinho em folha. Cada um tem 500 ml.

Eu nunca vi muita graça em banho de banheira (depois de cinco minutos já fico meio entediada, meio com sono, meio molenga demais). E no caso esse era um banho de banheira com cerveja. Então não há muito pra contar além disso. A parte mais emocinante foi quando, lá pelas tantas, decidi submergir na cerveja pra ver qual é. Foi uma ideia estranha, porque entrou cerveja no meu nariz e escorreu pela garganta de maneira que senti o gosto da cerveja morna lá no fundo da boca.

Era uma cerveja bem diferente mesmo, um pouco doce e menos gasosa. Depois me explicaram que usam uma cerveja só um tiquinho fermentada para o banho. Não é a cerveja feita até o fim. Por isso que não é tão ácida, por isso eu não morri quando aspirei o líquido sem querer pelo nariz (deve arder muito aspirar cerveja de verdade).

Depois de 20 minutos marinando na semi-cerveja, entrou uma mulher bem gradona ali, pegou meu lençol, fez sinal para que eu levantasse e me embrulhou no pano. Deu até uma saudadinha de quando a minha mãe me tirava do banho e me embrulhava na toalha.

Dali, fui direto para o chuveiro, porque meu cabelo ficou um tanto quanto grudento depois do mergulho no chope. Agora, eu tenho notado que ele, meu cabelo, está num momento bom, volumoso, formando uns cachos enfáticos. Pode ser efeito da cevada.

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Comida de peixe

O cenário é Praga. Nove da noite, estamos na rua eu e meu amigo de viagem Henri, o holandês bebedor, procurando um pub, o U Pinkasů. Perdidos, paramos uma menina pra pedir informação. Ela não sabe onde é o bar, mas é tão simpática e solícita que liga pra alguém que dá as instruções. Então ela diz:

– Vocês devem descer essa rua aqui. Vocês vão passar em frente ao lugar que faz “fish massage”, depois uma loja de maquiagem, daí tem um túnel. Entra no túnel e o bar está à esquerda. Eu estou indo nessa direção, venham comigo.

Descemos a rua com ela. Ela diz que é búlgara, se chama Anni, ouviu dizer que a presidente do Brasil tem ascendência búlgara e me diz que o nome Rousseff é búlgaro. Repete as instruções. Desce, “fish massage”, loja de maquiagem, túnel.

Desce, “fish massage”, loja de maquiagem, túnel.

Ela se despede porque agora vai em outro sentido. E assim que ela sai de perto eu digo a Henri:

– Podemos concluir que t em búlgaro tem som de sh. É feet massage (nos pés) e não fish (peixe).

Ele assentiu e comentou: é que nem no Brasil, quando vocês falam “leitche”. Então eu começo a fazer piada. Imagina um peixinho, cansado depois da piracema, parando no “fish massage” e dizendo: “minha nadadeira dorsal está me matando”, “estou com as nadadeiras muito tensas”. Rio alto. Henri começa a rir também. E repete minha piada em inglês com sotaque holandês:

– Oh, my dorsal fin is killing me today.

A gente continuou descendo e de longe eu avistei a loja de maquiagem. Olhei para o lado… E não é que era fish massage mesmo.

No dia seguinte, eu contei essa história pro Holger, um alemão com humor inglês, e ele disse: mas que ótima ideia, vocês podiam fazer isso no Brasil com piranhas

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