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Versinho

Já tem um tempo já, eu ainda morava no kibutz, um dia eu caminhava para encontrar o Rods, quando fiz um versinho mental. Eu anotei o versinho no iPhone, porque estava indo daqui para lá. Esses dias reli e achei tão bonitinho que resolvi postar aqui. Não quero ser poetinha, é só um versinho bobo.

Sem o fá (isso é o título)

Sou mi
Vou lá
Fui ré

Quis sol
Quis si
Que dó

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À la Chanel

E não é que na casa da Chanel no filme Coco Chanel & Igor Stravinsky a parede é coberta por ladrilhos iguaizinhos aos do piso aqui de casa? Na mesma cor? Tá bom que os cubinhos dela são bem maiores e que é na parede e não no chão. Mas a cor é a mesma. E o desenho também.

Devora geral

Faz semanas que eu estou com o verbo devorar na cabeça (eu devoro, tu devoras, ele devora, nós devoramos…). Coisa de mudanças, né? Você entra na sua casa recém-reformada e ela impõe o desafio: ocupa-me ou devoro-te. Incrível como a casa ganhou personalidade depois da reforma.

Daí quando eu estou menos fina, a esfinge grega dá lugar ao Djavan (Noutro plano/Te devoraria/Tal Caetano/A Leonardo DiCaprio…). Nada a ver com Caetano ou Leonardo DiCaprio. É o verbo que está na minha cabeça mesmo. Talvez a casa esteja me enlouquecendo. Ocupa-me ou eu te devoro tal Caetano…

Enfim, brisa à parte, foi no meio dessa febre verbal que topei com essa linda imagem de ressonância magnética de uma cobra digerindo um rato. Esquece o lado nojento da natureza e aprecie a beleza da imagem. Eu achei apropriada.

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Finalmente

Amanhã, depois de 3 meses e 3 semanas, volto a morar na minha casa. A reforma acabou. A todos que acompanharam essa epopéia, muito obrigada pela paciência nos momentos de mimimi.

Correção: sábado, depois de 3 meses e 3 semanas, volto a morar na minha casa. A reforma acabou. A todos que acompanharam essa epopéia, muito obrigada pela paciência nos momentos de mimimi.

Bocados de shuffle

Grande partidária do shuffle que sou, esses dias aprimorei o modo aleatório de vida em dois níveis até então inéditos para mim: o da leitura e o da alimentação. Ambos com resultados positivos.

Leitura
Só funciona se você não estiver na sua casa, como é meu caso. Estou hospedada na casa de um casal de amigos com muitos mas muitos livros. Posso escolher o que eu quiser para ler. Mas não quero escolher. Então, em vez de pegar um livro na estante, eleito a partir de parâmetros como “gosto desse escritor” ou “lembro desse título”, resolvi apertar o botão shuffle da vida. E tunguei o primeiro livro que estava na cabeceira. Como são doces as surpresas do aleatório: Big Loira, da Dorothy Parker. Estou me divertindo horrores por um lado. Por outro, fiquei horrorizada com o fato de que quase cem anos atrás isso tudo já era feito (ok, ficou vago, mas qualquer dia eu explico melhor).

Alimentação
Esse já é um pouco mais difícil. Porque você precisa de dois ingredientes: um restaurante de confiança e um acompanhante. Eu escolhi o Così. No almoço, eles têm um menu de entrada, prato e sobremesa que é sempre bom (custa um pouco caro, R$ 29). Eu já tentei dizer: quero o menu, sem saber o que é. Mas o garçom estragou a surpresa e disse. Daí ontem eu pedi ao Dani que pedisse pra mim enquanto eu ia ao banheiro. Resultado, os pratos foram chegando, uma surpresa atrás da outra. Salada verde com presunto defumado e pupunha, ravióli de berinjela com ricota e molho de tomate com azeitona e abacaxi caramelizado com sorvete de creme. Tudo gostoso e tudo surpresa.

Leia aqui embaixo o que o Américo, autor da sempre boa coluna “Eu Só Queria Jantar”, achou do Così:

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Encaixe os dedos, gire e pronto

Acompanhe o tortuoso caminho da água. Sobe, vira, desce e chega tonta às suas mãos

DIO MADONNA, o que aconteceu com as torneiras? Estou tentando comprar torneiras para a minha casa. Simples torneiras, que, já sei, não são mais torneiras: chamam ora registro, ora misturador. Quero saber por que ninguém chama torneira de torneira? Mas isso pode ficar para próxima.

O que eu quero descobrir agora é por que as pessoas desencanaram do consagrado formato de estrelinha com pontas redondas, encaixe seus dedos, gire e pronto. Em nome de que? De uns palitos que acionam umas geringonças que parecem discos voadores, mas, não, não voam, apenas vertem água…

Monocomando, bica alta… são uns nomes, uns desenhos, umas papagaiadas que dão vontade de vomitar e não lavar a cara depois. Porque eu que não quero ficar mexendo nesses troços… Tudo que eu queria, neste momento, era uma torneira que não fosse horrorosa. Só isso.

Disco voador? Não, é uma bica média monocomando. Hein? Pois é.

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Apito mágico

Nada como um chá nesse frio, não é mesmo?

Estou hospedada na casa de um amigo que está viajando enquanto a minha é reformada. Ficar na casa de outra pessoa tem lá suas esquisitices.

Por exemplo:
– eu fico arrumando tudo o tempo todo, como se a qualquer momento ele fosse entrar pela porta.
– eu nunca mais consegui deitar no sofá de sapato, como sempre fiz na minha casa (isso tem a ver com o fato de o sofá aqui ser branco)
– eu nunca sei onde as coisas estão de cara.

Mas é claro que não são só estranhezas. Há descobertas incríveis.

Uma coisa que sempre me intrigou é como algumas coisas frequentam umas casas e outras não. As casas têm universos muito específicos. Por exemplo: na casa dos meus pais, nunca teve água com gás. Na minha casa se não tem água com gás rola crise (agradecimentos à Rita, que deu origem ao vício). Em compensação, na minha casa sempre teve panela de pipoca, aquela que vem com pás móveis controladas pela tampa.

Pois bem, cá estou ocupando a casa alheia. E claro que há essas diferenças.

Por exemplo: aqui não tem nem descascador de legumes nem ralador. Esses dias eu fui fazer um molho de tomate. Ia começar ralando a cebola. Mas não tinha ralador, então eu tive de improvisar com a faca. O próximo passo era descascar uma cenoura. E pronto, tive, de novo, que usar a faca. E, claro, deu certo. Quer dizer, talvez tudo de que você precise é uma boa faca.

Por outro lado, aqui tem chaleira que apita. E agora eu quero uma chaleira que apita (Atenção: faltam 5 dias para o meu aniversário. Atenção 2: Eu quero uma chaleira que apita, não 20 chaleiras que apitam, então por favor, não criem uma corrida à chaleira que apita. Atenção 3: Mãe, você já me deu presente, então nada de também me dar chaleira que apita.)

A graça é que assim que a água começa a ferver e fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, o ar fica mais quente, a luz fica mais rosa, o chão, mais macio, a vida, mais suave. É como se tudo tomasse um chazinho quente. A casa se transforma numa casa onde será tomado um chá quente. Você, ao ouvir o apito, vira uma pessoa que vai tomar um chazinho quente. É um objeto mágico.

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A crise dos ladrilhos

No meio do que é uma das maiores crises que eu já vivi, recebi uma mensagem enigmática e inspiradora, diretamente da ilha de Lost:

Sent from my iPhone

Traduzindo em miúdos, quanto mais perguntas você faz, mais perguntas surgem. Pois eu concordo e digo mais: cada decisão que você toma leva a tantas outras a serem tomadas.

Isso está consumindo meus nervos, minhas veias, meu neurônios, minha alma e meus sais. Tudo parecia muito simples. Mas agora estamos num emaranhado, num labirinto, desorientados.

A primeira decisão foi fácil: o piso será de ladrilho hidráulico (já sabe, predinho antigo e pia de ágata levam a ladrilho hidráulico no piso e granilite na bancada). Decidido. Ladrilho. Muito bem.

Mas, mas, mas… qual? De que cor? De quais cores? Quantos? Todos? Socorro.

São centenas de desenhos. Conseguimos, a duras penas, escolher dois. O clássico gobeto (que já virou gobelin cá entre nós) e o bola quebrada (meu favorito).

O clássico gobeto, piso em 3D

Então foi preciso decidir as cores, entre umas 35, numa parede. Uma mais linda do que a outra. Um ladrilho tem três cores; o outro, duas. São cinco espaços de cor, 35 cores na parede. Lembrei do cálculo de fatorial e entedi, naquele segundo, porque o símbolo dele é um ponto de exclamação. Cinco espaços, trinta e cinco cores! (fatorial, faça as contas, dá um número bem alto).

Escolhidas as cores, o cara faz o ladrilho para você ter uma ideia de como fica. E a cada vez que isso acontece você pensa em outra cor que poderia ficar boa naqueles espaços. E quando um decide gostar mais de um, o outro decide gostar mais do outro.

Chamamos amigos para votar e continua tudo empatado, com leve vantagem para o gobelin. Mas e o medo de um belo dia acordar e não querer mais um chão 3D na cozinha?

A crise dos ladrilhos já dura 48 horas. Estou com olheiras. E logo mais vou ligar para o Júnior e pedir mais duas amostras. Mais duas. Já temos quatro. Serão seis. Seis amostras, seis promessas de uma cozinha incrível. Cinco serão desprezadas.

O elegante bola quebrada

PS: Se algum dia você quiser entrar nesse infernal processo e colocar ladrilho hidráulico na sua casa, recomendo que vá no Júnior. O cara é super gentil e faz um tour guiado pela fábrica se você for até lá. Fica no Bom Retiro, bem facinho de chegar.

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A pia de ágata

Estou reformando a minha casa. E agora só quero saber de pias, louças, cubas, misturadores e outras coisas que nunca imaginei que pudessem consumir tanto tempo e dinheiro.

Que bela bagunça

Eu já deixei claro aqui que sou adepta do predinho antigo. E quase todos os adeptos do predinho antigo têm uma queda por outras coisas antigas também. Por isso, eu e o Dani resolvemos que queríamos comprar uma pia antiga para um lance que vai ter lá em casa depois da reforma. É tipo um pré-banheiro.

Breve digressão. Nessa semana que acaba, eu estava às voltas com um perfil do Steve Jobs publicado no Link. Não perca. É um perfil em seis capítulos, e o terceiro é dedicado a Esslinger, o designer, que, lá pelas tantas, diz:

“Às vezes as pessoas não sabem ainda de que realmente querem”

Parece bem óbvio, mas foi exatamente o que aconteceu com a pia em questão.

Nós achávamos que queríamos uma pia de louça grandalhona, daquelas que frequentam casas de avós. E fomos à caça na feirinha do Bixiga. Só lá é que descobrimos a verdade. Bastou perguntar para um vendedor. E ele dizer: “ágata”.

É claro que era uma pia de ágata. Eu sempre quis uma banheira de ágata, daquelas com pé de leão. E como quem não tem pé de leão caça com pia, lá fomos nós atrás de uma.

E não achamos. Ninguém tinha. Apenas numa loja, uma, detonada, R$ 600.

Foi frustante. Fomos embora. Mas agora ao menos sabíamos o que queríamos. E quando você sabe o que quer, é só colocar no Google. Aliás, esse é o pior defeito do Google (e é por isso que eu amo o Stumble Upon): você precisa saber o que quer para ele funcionar direito.

Pois chegando em casa, pia de ágata, search, caí numa extensa lista de ofertas de, hãn, pia de ágata no Mercado Livre.

Breve digressão: o Mercado Livre é o Éden do Capslóki. É todo mundo muito doido, comprando e vendendo tudo em caixa alta. Parece uma tentavia de recriar, em versão online e escrita, a balbúrdia de um mercadão de rua. Vai entender.

Pois lá no Mercado Livre havia uma porção de pias. E essa foi a primeira compra da reforma. Uma linda pia de ágata. Por bem menos que R$ 600.

Moral da história: a feirinha do Bixiga só serve mesmo para passear e, em casos bem específicos, para descobrir o que você está procurando e, então, poder procurar de verdade.

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Deu quanto? Passa no crédito.

Eu não sou do tipo mulher consumista doida. Sou comedida com o meu dinheiro, gasto, principalmente, em táxi (porque eu não dirijo e estou sempre atrasada). Não compro muita roupa (e, quando compro, não pago mais de 100 unidades monetárias numa peça), não tenho muitos sapatos, não gasto com cremes, perfumes e afins. Mas…

Olhando assim, é uma luminária normal, meio pirâmide

Mas a minha casa está em reforma. E agora eu quero comprar pias, ladrilhos, tintas, tecidos. Tudo especial. Tudo de luxo. Quero trocar fogão, geladeira, máquina de café. Quero comprar aquele tiroliro que faz espuma de leite. E, para piorar, dei para frequentar site de decoração.

Mas, puxa vida, que idéia mais inteligente

A maior parte deles é estúpida. Ontem vi uma “casa incrível na selva balinesa”. Ah, vá. Tudo de madeira, nenhuma parede, esculturas de Java (a ilha, hein, meus queridos nerds) na selva da Polinésia. Bem realista, né.

É tão simples que dá até raiva

Mas volta e meia tem umas coisas brilhantes, como essa luminária, que já é meu objeto de desejo: além de iluminar sua leitura ainda marca o livro. É por isso que estou criando a seção “Passa no crédito” aqui no Caracteres com Espaço. Todinha dedicada a surtos consumistas, coisas que quero e dicas de presente para você me dar.

PS: Vi a luminária aqui. Tem outros projetos na mesma página. Alguns legais, outros menos.
PS2: A reforma do apartamento está indo bem. Estou reunindo material para fazer um post sobre o assunto.

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