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A prosa e o versinho

Gosto de Paraty, gosto de livros, mas não gosto muito da ideia de compromisso que permeia a estada em Paraty durante a Flip. Você descola uma folga, vai para uma cidade turística e praiana e daí tem que almoçar correndo porque a mesa começa daqui a 30 minutos… Como disse a Belle, que devia ter um blog mas não tem, “não transo gincana”. Por isso vi apenas uma mesa, a do Crumb com o Shelton (se eu tiver saco e, mais do que isso, coragem, depois digo o que achei).

Mas com ou sem mesas, discutindo ou não discutindo a literatura, todo mundo fica um pouco mais erudito depois de alguns dias se equilibrando naquele chão de pé-de-moleque que desafia usuários de bengalas, cadeira de rodas ou salto alto.

Eu inclusive (mais erudita, nada a ver com o salto alto). E eu estava especialmente sensível às letras, à arte. Daí um dia eu fui ao banheiro da casa em que estava hospedada. E ali ficava o motor da sauna. E no motor da sauna havia instruções. E essas instruções eram poesia pura. De maneira que eu, graças a essa era sem valores em que vivemos, vou roubar as instruções de uso e transformá-las em poesia, bem aqui, diante dos olhos de todos, e vou creditar a poesia a mim mesma. Porque a roda era apenas a roda antes de alguém dizer que inventou a roda.

Título: Instruções de uso
Autor: Heloisa Lupinacci
Categoria: Poesia

Para ligar, abra a água e feche o dreno
Para desligar, feche a água e abra o dreno.

PS: Biruta, é assim que chama esse treco aqui de cima, aquele que indica a direção do vento.

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