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Feliz sexta-feira-treze, agora que passou

pena

A sexta-feira treze começou mal e terminou assim:

Eu tenho uma gata. Preta. A Shoyu.

Chego em casa, sete e meia da noite. Abro a porta, as luzes apagadas, e vejo, ainda na penumbra, o chão todo coberto por ALGO. Acendo a luz. São penas. Fecho a porta. Atrás dela está o corpo. O corpo de uma pomba toda eviscerada. Tripas de pomba infecta no canto. Penas de pomba infecta pela sala inteira. Presente da Shoyu…

Para fechar a cena: estou de TPM. Resultado: crise de choro.

Euzinha, sozinha, procuro alguém da vila pra me consolar. Encontro apenas a vizinha que é muito brigada comigo… Desisto.

Recomposta, pego uma sacola e uma pá e suspendendo a respiração (e tentando suspender os batimentos cardíacos e a própria consciência) consigo colocar o corpo e suas tripas no saco. Bora terminar o serviço.

Começo a varrer as penas e elas vêm pra cá mas logo voam pra lá. São penas, afinal. E não tem jeito de varrer. As penas cinza, o chão cinza, a gata preta… Continuo varrendo, elas continuam voando e de repente cai a ficha.

Aquela cena, aquelas penas… É tudo tão leve… igual saco de supermercado voando sozinho na rua quando venta. Poesia pura para quem estiver a fim de ver.

“Quanta leveza nas penas do passarinho morto-eviscerado no canto da sala no fim de um dia ruim”.

No caminho pra lavanderia (onde eu estava indo pegar o rodo, um pano e um balde de água com desinfetante pra molhar aquelas penas e acabar com aquela palhaçada), plim: até o tétrico tem um lado leve.

Feliz sexta-feira-treze, agora que ela já terminou.

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Roubei a imagem daqui

A Grande Arte

(Por uma espécie de ausência de critério, este post tem três poemas, para ler todos os três, é preciso ir até o fim. Há um critério, porém, de ordenação de qualidade. Primeiro: BANDEIRA, Manuel. Segundo: LOBO, Reinaldo. Terceiro: COM ESPAÇO, Caracteres)

Um delegado brasiliense fez um B.O. poético. Como esse blog é dado ao poético e ao patético (esses dias eu tava ouvindo rádio Cultura e aprendi que patético é ‘aquilo que causa emoções’, o locutor disse não saber direito quando o patético ganhou os contornos de hoje. Pra mim patético vinha de palhaço, mas pelo visto meus talentos etmológicos são nulos) eu me sinto no dever de reproduzir a obra. Mas antes de reproduzi-la, preciso dizer que, em sua simplicidade, ela me lembrou essa, do Manuel Bandeira:

Poema tirado de uma noticia de jornal

João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Bandeira é tão lindo. Agora vamos à obra do delegado Reinaldo Lobo:

Já era quase madrugada
Neste querido Riacho Fundo
Cidade muito amada
Que arranca elogios de todo mundo

O plantão estava tranqüilo
Até que de longe se escuta um zunido
E todos passam a esperar
A chegada da Polícia Militar

Logo surge a viatura
Desce um policial fardado
Que sem nenhuma frescura
Traz preso um sujeito folgado

Procura pela Autoridade
Narra a ele a sua verdade
Que o prendeu sem piedade
Pois sem nenhuma autorização
Pelas ruas ermas todo tranquilão
Estava em uma motocicleta com restrição

(eu adoro a rima autorização-tranquilão)

A Autoridade desconfiada
Já iniciou o seu sermão
Mostrou ao preso a papelada
Que a sua ficha era do cão
Ia checar sua situação

O preso pediu desculpa
Disse que não tinha culpa
Pois só estava na garupa

(desculpa-culpa
Foi checada a situação
Ele é mesmo sem noção
Estava preso na domiciliar
Não conseguiu mais se explicar
A motocicleta era roubada
A sua boa fé era furada

Se na garupa ou no volante
Sei que fiz esse flagrante
Desse cara petulante
Que no crime não é estreante

Foi lavrado o flagrante
Pelo crime de receptação
Pois só com a polícia atuante
Protegeremos a população

A fiança foi fixada
E claro não foi paga
E enquanto não vier a cutucada
Manteremos assim preso qualquer pessoa má afamada

Já hoje aqui esteve pra testemunhá
A vítima, meu quase chará
Cuja felicidade do seu gargalho
Nos fez compensar todo o trabalho

As diligências foram concluídas
O inquérito me vem pra relatar
Mas como nesta satélite acabamos de chegar
E não trouxemos os modelos pra usar
Resta-nos apenas inovar

Resolvi fazê-lo em poesia
Pois carrego no peito a magia
De quem ama a fantasia
De lutar pela Paz ou contra qualquer covardia

Assim seguimos em mais um plantão
Esperando a próxima situação
De terno, distintivo, pistola e caneta na mão
No cumprimento da fé de nossa missão

O Caracteres com Espaço,
blog que eu mesma faço,

em seu humilde afã,
é um assumido fã

do delegaldo
Reinaldo

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CAPSLÓKI ESPECIAL: SAKINEH

Participação muito especial: Fabrício Corsaletti

APEDREJEMOS AS ADÚLTERAS

VAMOS SEQUESTRAR AS MULHERES DO IRÃ
ENQUANTO SEUS MARIDOS DORMEM BÊBADOS
DEPOIS DA ÚLTIMA NOITADA
VAMOS NOS CASAR COM AS MULHERES DO IRÃ
E CRIAR SEUS FILHOS —
VAMOS DEIXAR OS HOMENS DO IRÃ SOZINHOS
BATENDO PUNHETAS NERVOSAS
OU FODENDO UNS AOS OUTROS —
VAMOS AMAR AS MULHERES DO IRÃ
VAMOS SER TRAÍDOS PELAS MULHERES DO IRÃ
VAMOS PERDOAR AS MULHERES DO IRÃ
E SER FELIZES COM AS MULHERES DO IRÃ

VAMOS SEQUESTRAR AS MULHERES DO BRASIL

PS1: Poeta, cronista, colunista e bobo, Fabrício Corsaletti faz hoje uma participação muito especial aqui no Caracteres com este poema inédito.
PS2: É raro este blog se meter em assuntos sérios, mas de vez em quando não tem jeito. E para quem não se lembra, esta não é a primeira vez. Teve o caso do chinês também.
PS3: Para quem está estranhando a descrição do Fabrício, aqui neste blog bobo é elogio, adjetivo muito positivo e reservado para poucos.

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Esse mundo é lindamente estranho

Na China, 10 mil pessoas quebraram a recorde mundial de dominó humano.

Dominó humano = ola sentada

No Arizona (EUA), a placa na estrada avisa: “mantenha seus olhos abertos”

E continue respirando também. E, por favor, não reduza os batimentos do seu coração

Na Holanda, essa placa é tão inútil mas tão inútil que quase vira arte. Isso é um moinho. Isso não é um moinho. Por aí vai.

Já em Wisconsin, nos EUA, a inutilidade ganha ares de ditado sábio.

Se a porta não abrir, não entre

Repito: Se a porta não abrir, não entre.

Veja mais placas geniais aqui.

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