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“Peido dos Dinossauros”

Vai, grandão!
Vai, pequeninho!
Vai, porquinho!
Nada como um bom campeonato de peido.

Movimento pelo Peido Livre

Campanha do peido livre

Uma inesperada adesão internacional à campanha do peido livre. É do talentoso Raid71, ou Chris Thornley, como preferir. Veja mais coisas dele aqui e aqui.

Peido-dedo ou dedo-peido?

Eu tinha decidido não tocar mais no assunto peido, para não caírem em mim todas as suspeitas de mau cheiro em todos os lugares a que eu for, para eu não pegar fama. Mas o peido veio atrás de mim. Estava tropeçando por aí stumble upon afora quando me deparei com esse link:


www.funstufftosee.com/fartfinger.html

Que abre essa linda imagem e fica tocando uma delicada música:

Daí você clica no dedo que está fechadinho e ele puxa o dedo esticado e faz um barulho de peido. É um dedo-peido ou um peido-dedo, como você preferir. É pouco útil, eu sei. Agora veja você como o peido pode mesmo ter a sua elegância, uma elegância minimalista até.

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Movimento pelo livre peidar

Peidorrentos e flatulentas, a adesão à campanha pelo livre peidar tem sido grande. E com nomes de peso.

Tiago Mesquita, crítico de arte, tão logo leu o post já relembrou a infância. “Circulava entre os moleques uma lista com a tipologia dos peidos. A cada tipo, um adjetivo. Era o peido egoísta, o peido envergonhado, e assim ia.” Fernanda Pappalardo, estilista, lembrou de um bom: “peido ninja: silencioso e mortal”.

Pelo Twitter, chegou Salvador Dali, via Marcelo Pliger, designer e figura. O surrealista bigodudo defende o livre peidar em um capítulo do “O Diário de um Gênio”. Não chequei. Se alguém tiver a obra e puder compartilhar, seria flatulento!

A elegância do gesto do farteur profissional

Alexandre Matias relembra Le Pétomane, flatulista profissional que tinha tanto controle de seus músculos abdominais que tocava a Marselhesa emitindo gases controlados amplificados por meio de uma ocarina.

A lembrança do farteur traz à baila uma arte perdida e um lindo termo: farteur. Alô, francófonos, qual seria o feminino de farteur? Eu gosto de farteuse, porque tem uma ideia de fartura, mas desconfio de seja fartrice.

Digressão linguística à parte, Matias segue:

    “Enfim, é toda uma cultura que não tem mais espaço nos cadernos da área porque não dá pra comprar na megastore nem tem patrocínio estatal…”

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Já Paulo Werneck, erudito editor, ALUDE a uma série de referências. Abre aspas.

    “O próprio Montaigne, em pleno século XVI, dissertou sobre o peido. Dizia que, dos três ventos que produzimos, apenas o espirro era tido como sinal de inteligência, por vir diretamente da cabeça. Era sinal de espíritos superiores. Lendo seu post, agradeci à era rudimentar em que estamos — graças a Deus a internet ainda não tem cheiro. Outro poeta, o Sebastunes Nião, escreveu: ‘Prefiro peidos, meu amor, a suportar sua babaquice cósmica’. Um peido de Glauber já foi objeto de polêmica e elevado a expressão máxima da rebeldia da cultura nacional, pois foi solto diante de um produtor de Hollywood. Como diria Vinicius, peidemos em comum numa comunhão de enxofre.”

Foi tanta inspiração que eu me empolguei e peidei um hai-kaizinho:

    A arte peidada
    é uma arte perdida
    CUltura sem forma nem espaço

E as adesões não param: A diva santista e artista Santarosa trombeteou seu apoio e ainda conseguiu amealhar o reforço de Felipe Barba; e Vinícius SeteSete, biriguense bocamole, assinou embaixo.
E, claro, não podemos deixar de lado o importante suporte dos pequenos Alice e Manuel, que têm a sorte de, por serem crianças, ainda soltarem pum.

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Peido, pum, peidinho e peidaço

Lamento que não se possa peidar com orgulho em público. O peido tem a sua virtuose, uma sintaxe própria. Deveria ser arte exibicionista. Há quem peide com classe, há quem se atrapalhe todo. E essas voláteis sutilezas estão restritas à privacidade dos banheiros ou à discrição da calçada, onde peido não tem dono.

‘A Arte de Peidar’ olha de perto esse universo impalpável. Escrito no século 18, por Pierre-Nicholas-Thomas Hurtaut, foi traduzido e publicado no ano passado pela editora Phoebus (e pode ser comprado na Livraria Cultura por R$ 23).

Hurtaut defende ‘as vantagens do peido para a sociedade’. E veja como não há caminhos para discordar dele:

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Eu seria uma pessoa mais feliz se pudesse manifestar meu tédio com peidos, que são muito mais enfáticos que virar os olhos ou dar uma bufadinha.

Outro argumento irresistível:

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Estou com Hurtaut e não abro. Peidadores e flatulentas, não há motivo de vergonha! Todo mundo solta em média 14 peidos por dia (veja infográfico abaixo). Isso quer dizer que, descontados os peidos noturnos (vamos contar que eles sejam meia dúzia), você pode interromper OITO tagarelas pentelhos ou puxar OITO conversas. E se você souber que vai encontrar muitos chatos ao longo de um dia, pode comer feijão no café, para aumentar o arsenal.

Mas de volta a Hurtaut, ele leva a coisa bem adiante. Respeita o peido com tanto ardor que analisa os tipos de gases como se fossem rótulos de vinho:

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Repare como Hurtaut é anti-terroir!

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Buquê do peido!

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E quando ele dá para separar os tipos de peido! É de chorar de rir.

Tem o peidaço, ou peido-petardo, que ‘manifesta-se com grande ruído’. “Esta fênix dos peidos pode ser comprarada à explosão dos canhões”, e tem o peido ditongo: “pa, pa pax, pa pa pa pax, pa pa pa pa pax. Enquanto isso, o ânus não se fecha perfeitamente: a matéria vence assim a natureza”. Os nomes continuam brilhantes: “Semivocal ou peidinho”, “peido claro”, “peido médio”, “peido aspirado”, “peido mudo ou bufa” (na minha casa tinha um ótimo: “pum-borrão”).

E como especialista generoso, Hurtaut ainda ensina a dissimular o peido, “para uso daqueles que se apegam ao preconceito”.

Enfim, são 94 páginas para ler peidando de rir.

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Mais sobre peidos:

Facts About Your Farts
Source: Online Education

Lá do Online Education

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