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Óleo Maria, manjubinhas e muito palavrão

Óleo composto de soja e oliva

Eu já estava desligando o notebook para entrar no modo offline dos dias de folga que terei, quando entrou um comentário da Nina Horta aqui no meu blog! Espatifadinha de alegria, resolvi que pedido de ídola não se nega. Então vou contar minha primeira gafe gastronômica, que foi com ela.

Essa história se passou em 2000, lá se vão onze anos. Eu estava começando a trabalhar na Folha, como frila, quando decidi me interessar por comida. E resolvi dar meu primeiro passo lendo Não é Sopa, que reúne as crônicas da Nina na Folha. Enquanto eu devorava o livro, encasquetei com uma receita de molho rústico de tomates.

Era mais ou menos assim: muito azeite, alho, tomates cortados em quartos, cozinha isso aí, depois vai canela e salsinha. Acontece que eu era frila e iniciante. E comprei óleo Maria em vez de azeite. Pior: aromatizado (eu não vi que era aromatizado, essa foi sem querer, que eu tinha um mínimo de noção. Mas eu também tinha um mínimo de orçamento, embora eu saiba que isso não justifica comprar óleo Maria). E o molho ficou obviamente ruim.

Alguns dias depois, vi no freezer de casa um sacão de manjubinhas. E tinha, no livro, que eu não largava, uma receita de manjubinhas fritas. Eu descongelei as pobrezinhas e limpei uma por uma. Meu pai é pescador (de hobby, que relendo aqui achei que dava a entender que eu cresci numa vila à beira-mar, e não foi bem isso) e eu sempre ajudei minha mãe a limpar os peixes que ele trazia das noites passadas no mar. Fiquei horas a fio tirando as tripinhas dos peixinhos. E tava um calorão danado. Fiz tudo bonitinho e servi as manjubinhas para os amigos. Eu mesma não comi, que tinha ficado enfastiada com o cheiro.

Os pobres Pinda e Zé, cobaias da minha empreitada à cozinha, passaram o dia seguinte no hospital. O Pinda morava comigo e ficou cabreiro com a tentativa de homicídio (o fato de eu não ter comido os peixinhos levantou sérias suspeitas). Mas ele voltou a falar comigo rapidamente e me contou que as manjubinhas eram ancestrais, estavam no freezer há tempos.

Eu, que naquela época era mais cara de pau, escrevi um e-mail pra Nina dizendo que queria aprender as coisas das comidas e contando das minhas desastradas aventuras.

Pois não demorou nem uma hora pra ela responder. Com um e-mail que era generosidade pura. Primeiro, ela festejava minha vontade. Quanta alegria uma menina (eu tinha 19 anos) escrevendo pra ela pedindo ajuda. Depois, me deu uma lição sobre a importância de ingredientes bons e frescos. Óleo Maria e manjuba estragada são talvez a síntese da antítese de bons e frescos. E depois ela ainda colocava a biblioteca dela à minha disposição.

Eu lembro direitinho, como se fosse hoje, como eu me senti. Eu fechava os olhos e imaginava uma sala enorme, com janelas imensas numa parede e, nas outras, estantes e mais estantes de livros. E não conseguia acreditar.

Eu tinha contado pro Pinda, que estava acompanhando de perto a minha vontade de ser uma comilona cabeça, que ia escrever pra ela. Então quando ela respondeu, eu encaminhei o e-mail pra ele, dizendo mais ou menos assim:

– Putaqueopariu, Pinda, caralho, a Nina Horta me respondeu. A Nina Horta, porra, não acredito, caralho, putamerda, ela coloca a biblioteca dela à minha disposição, putaqueopariu, caralho, caralho, caralhooooo.

Eu sou bem fina, sabe.

Acontece que o Pinda demorou pra responder. E, claro, quando fui checar, vi que essa tonelada de caralhos tinha sido enviada para a caixa-postal da Nina Horta. Eu só pensei: Jesus, eu enfileirei óleo Maria, manjuba podre e uns 50 caralhos em dois e-mails. E imaginava a imagem que estava criando. Algo localizado exatamente entre a tosqueira e a grosseria. E imediatamente (depois de imaginar a cara da minha mãe me reprovando pelas quantidades obscenas de palavrão que eu uso para me comunicar) escrevi de novo pedindo desculpa pela terminologia. Ela respondeu loguinho.

Como eu queria ter esse e-mail guardado (e eu tinha ele guardado). Ele deve ter se perdido entre mudanças de emprego, programas de e-mail, caixas-postais.

Ela dizia que tinha achado bem mais legal o e-mail que eu mandei pro Pinda.

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O fim da inveja do pênis

E esse nome? Oi Girl. Quando vi, achei que fosse coisa da operadora...

A inveja do pênis desafia pensadores há muito tempo. Mas esse problema acabou. O pênis agora pode ser comprado. Ao menos um pênis que resolve a principal questão que fazia que mulheres sentissem inveja do pênis: mijar de pé.

Por menos de R$ 50 você leva para casa esse lindo funil/pênis de silicone medicinal (é assim que o release descreve o material usado) rosa-pink. E com esse lindo funil/pênis devidamente localizado no lugar certo, você, mulher, pode mijar de pé.

Eu sempre quis mijar de pé, não por nenhuma questão psicanalítica, mas apenas para poder mijar na rua quando não tem sinal de banheiro por perto. Ser mulher e querer fazer um xixi de urgência é grave. Se você estiver de saia, pode ir num cantinho, puxar a calcinha pro lado e mandar bala. Mas o jato é pouco controlado e a chance de você molhar pernas, pés, saia e calcinha são grandes.

O pênis de silicone medicinal rosa-pink está à venda num sex-shop (!?) chamado Loja do Prazer.



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Qual é o mistério?

Por favor, não fique apertado a ponto de não conseguir segurar mais justo naquele finzinho do trajeto até o vaso

A Isabela, que é uma espécie de amiga-desconhecida pra mim, escreveu no 100 Mililitros, há um tempinho, sobre um aviso ensinando como usar a privada. Daí hoje vi essa galeria do Huffington Post com placas engraçadas e não pude evitar.

É porque me parece muito simples o uso desse dispositivo. Basta encará-lo como uma cadeira. Senta-se, descarrega-se, limpa-se (à preferência do usuário), veste-se, levanta-se e basta tocar a descarga. É tão simples. Qual é o mistério?

Tem o drama da contaminação pela tampa. Mas desconfio muito dos que temem adoecer por sentar numa privada. Se tem pinguinhos de mijo antigo, ok, eu também não sento. Mas se a tampa está seca… Entrar nessa paranóia pode levar a hábitos estranhos. Eu tinha uma amiga que não segurava naqueles canos do ônibus sem antes pegar um kleenex e usá-lo como anteparo. E quando ela chegava para onde estava indo, a primeira coisa que fazia era lavar as mãos.

Cutucar ferida? Futucar pereba? Espremer espinha?
Talvez apenas com luvas cirúrgicas.
E na hora do banho de mar?
Mergulham na boa. E no mar tem mijo de toda uma cadeia alimentar.

Você já notou a semelhança de formatos entre uma cadeira e uma privada? Então, basta usá-los do mesmo jeito. Agora, se você senta desse jeito na cadeira, daí tanto faz, sério. Só não mije na sala de jantar, grata.

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Quem me pariu

“É a maneira mais gentil de mandar tudo para a puta que pariu”

Assim disse a minha mãe por aqui, num comentário por aqui. A frase resume o nosso lema secreto: há que ser gentil, mas sem perder a boca-suja jamais.

<3

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Buscas, coincidências, o conhecido, o que não se conhece e o cu

Ontem, um cara que eu não conheço postou no Facebook que uma pessoa havia escrito “conseguir namorada japonesa linda” no Google para entrar no blog dele, o Inventário de Coisas Inúteis (que eu também não conhecia). Como ele conhece oito pessoas que eu conheço (segundo o Facebook), não demorou para que uma outra pessoa que eu não conheço mas que conhece este blog (e o blog dela, o 100mililitros, eu já conhecia), mandar um link do último post em que eu havia comentado os termos de busca que as pessoas usam para entrar aqui no blog.

Curiosamente, ontem também, eu fui jantar num restaurante que eu não conhecia, o Cinco Bistrô, com uma amiga que conhece a dona do lugar. Pois eu comentei essa história acima para ela. Menos de uma hora depois, conversando com a dona do lugar, descobri que ela é co-autora do blog que eu já conhecia, o 100mililitros. É muita coincidência.

Mas não para por aí. Por conta dessa maravilhosa citação ao Caracteres no Facebook, eu fui dar uma checada em como estavam os termos de busca que as pessoas usam para entrar aqui. E não tinha nada demais, apenas os de sempre (caracteres, como faz coelhinho de caracteres, gato de caracteres e assim vai). Mas hoje veio um daqueles. Vou até pular linhas. Aliás, não, eu vou colocar em imagem, que é para ninguém achar que eu inventei.

Digite isso no Google e este blog, que nunca mencionou pau grande, mas já falou sobre cu errado, por causa de outra combinação escatológico-dadaísta, é o terceiro resultado.

E é assim que as coisas andam por aqui. Eu escrevo sobre termos de buscas bizarros e daí o que acontece é que outras pessoas digitam coisas bizarras e caem nos posts sobre os termos bizarros rendendo outro post sobre termos bizarros.

A única coisa que posso dizer para o autor da combinação de hoje é: KY.

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Que porra é essa?

Sempre fui boca-suja, sempre falei palavrão pra cacete e adoro falar coisas tidas como impublicáveis. Essa introdução toda é por causa de uma combinação de palavras que trouxe um leitor para o Caracteres com Espaço via Google. A pessoa digitou:

“ai meu cu entrou no lugar errado”

Não acreditei. E digitei “ai meu cu entrou no lugar errado” no Google. E o primeiro resultado é este blog.

Não sei como ler a frase. Já pontuei de diversas formas:

Ai! Meu cu entrou no lugar errado!
Ai, meu cu! Entrou no lugar errado!
Ai! Meu cu entrou no lugar. Errado!

Nenhuma delas faz sentido. Onde estava esse cu? Que lugar é esse? Como ele pode ser errado?
São muitas perguntas. E nenhuma resposta.

Por isso faço um apelo público. Você que fez essa busca, por favor, diga qual era a sua intenção. O que você procurava? O que queria achar? Que lugar é esse e o que raios aconteceu com o seu cu?

Obrigada e boa noite.

CAPSLÓKI: ÁGUA

PUTAQUEOPARIU
NÃO TEM UMA PORRA DUMA GARRAFA DE ÁGUA GELADA
VAISEFODER
NENHUMA, CARALHO
QUALÉ A DIFICULDADE DE ENCHER A GARRAFA E COLOCAR NA GELADEIRA CACETE?

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