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Cora que é bom

Computador novo, Paint instalado

A coisa veio num estalo. Eu estava andando na calçada, indo comprar cigarros, atravessando a rua e, tác, a palavra grudou na minha cabeça: rubicundo. Rubicundo. Rubicundo. Rubi-cundo. Foi dando uma aflição danada. Primeiro porque de onde veio? Depois porque o que é rubicundo mesmo?

Não dava ver no dicionário tão logo. Não ia voltar pra casa, estava ali e dali ia passar o fim de semana fora.

– Você não tem um aplicativo de celular de dicionário?
Não, tenho não. Mas é só entrar na internet no celular. Faço isso quando a gente chegar. E quando a gente chegou não tinha internet e a palavra me deu uma trégua e eu esqueci dela até agorinha, quando fui olhar no dicionário.

Rubicundo
Adjetivo
1 – rubente
2 – cujas faces estão muito avermelhadas; corado

Eu tinha um chefe que toda vez que ia descrever uma mulher que trabalhava ali perto dizia:
– Ela é demais. Ela cora.
Às vezes ele punha um ainda antes do cora, certo de que um dia ela ia parar de corar. Porque sempre chega a hora em que a experiência ganha da inocência. E as bochechas vão ficando menos rosadas. Volta e meia eu encontro a mulher que ele descrevia assim e ela continua corando.

E isso é demais. Corar, ficar sem graça, perder o rebolado. Gaguejar então, que bênção! Aquela coisa de perder a palavra um pouquinho. Gente, tô gaga…

É que essas coisas acontecem quando a vida sai do script. E nessas horas tudo se movimenta, tudo vai um pouquinho daqui pra lá. (E daí, me diz, pra que perder tempo e energia tentando manter o carão bem na hora em que a mágica acontece?) O melhor a fazer é gaguejar suspirando, corada e desrebolada mesmo. Porque depois que tudo chacoalha, tudo assenta. E o conforto uma hora chega. E ele é mais gostoso pra quem, em vez de perder tempo tentando manter o rebolado, se deixou sacudir pela sacudida.

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CAPSLÓKI COM TUDO DENTRO

TENHO DENTRO UMA MONTANHA-RUSSA
BORBOLETA NO ESTÔMAGO DÁ SOLUÇO
OI TUM TUM BATE CORAÇÃO OI TUM CORAÇÃO PODE BATER

PS: o desenho e o mote são da sempre genial Veri.

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Tudo parece ficção

O jornal de hoje parece colagem de vários trechos de ficção.

Primeiro tem essa história dos mineiros no Chile. Trinta e três pessoas soterradas em uma mina. A ideia é resgatá-los até dezembro. Repito: dezembro. Vou até separar as sílabas: de-zem-bro. Mano, e eu aqui reclamando que a minha reforma demorou.

Toda hora que imagino o drama desses mineiros chilenos coloco todos eles no cenário dessa fase de Donkey Kong. Era a minha fase favorita. Você pegava um carrinho e ia, mina adentro, catando bananas, evitando buracos e pulando entre trilhos, tipo uma montanha-russa subterrânea

Os caras estão lá debaixo da terra há 20 dias. Vá lá que o túnel é grande (por exemplo, estão dormindo nos carros que estão dentro do túnel), tem até maca ali, caso algum deles passe mal. Mas serão quase cinco meses dentro da terra. Cinco meses subterrâneos.

A outra história já foi até escrita. Um congestionamento dura onze dias na China. Estima-se que até meados de setembro ele passe. Ele já dura onze dias e vai durar mais uns vinte. É um mês de congestionamento. Um mês para percorrer 100 km (é daqui a Campinas, dá 50min de carro, 1h20min de ônibus).

Imagem meramente ilustrativa, não é do congestionamento em questão. Afinal, esse é um post sobre ficção e notícia, então, realmente, tanto faz de onde é essa foto

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PS: apenas para deixar claro, eu realmente me sensibilizo com os dramas tanto dos mineiros soterrados quanto das pessoas que estão engarrafadas. Mas que tudo parece ficção, isso não pode ser negado.