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Rodada tripla animal

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Chegamos, nas últimas semanas, a um auge nessa brincadeira. Uma série de rodadas animais. Literalmente animais. O Horta abriu a série com uma jogada genial.

Vinhozinho da Páscoa, que trazes prá mim? um ovo, dois ovo, três ovo assim (era como ignorantes crianças cantavámos). O que este coelho, na verdade lebre, desenho de quem os ibéricos chamam Durero e o resto Dürer motiva em vinhos? É marrom, é veloz, é selvagem...valendo!

Ai, foi um corre-cotia-na-casa-da-tia, viu. Que esse valendo me deixou nervosa. E o diálogo foi ligeiro que nem a lebre. Não pisque, pra não perder nenhum lance (eu editei um tiquinho):

Eu: Ai, viu, prevejo insônia. Essa coisa veloz e selvagem… ela… ela urge. Ele é marrom, ele é veloz, ele é selvagem. Mas ao mesmo tempo ele é límpido. Tem uma clareza, uns detalhes, um pelo, outro pelo, um tem brilho, outro não tem. Tem que ser um vinho que tem uns gostos assim. Ai, repertório que me falta, coelhinho da páscoa, que trazes pra mim? Degustas, degustas, degustas sem fim!

Horta: Forza, Helo Robinson!

Eu: Olha, eu acabo de decidir que, apesar de ele ser marrom, ele é branco. Não é um tinto. Eu decidi também que ele tá na neve. Então ele é fresco. Ele pode ser um espumante. Espumante combina com essa pelagem. Com essa pelagem e esses bigodes

Horta: Faz sentido. A graça deste jogo é que não tem resposta certa. Eu tinha pensado num PX, mas de selvagem não tem nada e é doce pra caramba.

Eu: Já sei o que vou fazer. Eu vou jogar baixo. Eu li alguma vez em algum lugar alguma anedota que dizia da diferença entre o melhor vinho do robert parker e o melhor vinho do hugh johnson. Parker dizia que era uma que tinha isso e aquilo das quantas tantas. E o Johnson dizia que era um vinho que ele tinha tomado com alguém que ele amava numa sacada sob a brisa quente do verão. Essa lebre do Dürer é um espumante que o velhinho barrigudo da Quinta dos Loridos girou naquela estante que ficam os espumantes que eles fazem daquele jeito que vai girando. Só porque eu fui lá. E fiquei amiga do velhinho. E ele parecia a lebre e tudo tinha esse chão branco meio gelado.

Taí. Essa é a minha resposta mais louca-louca-das-loucas.

Horta: Olha, você passou para a fase dois e já pode ler o melhor livro de vinhos já publicado: “A life uncorked” do Hugh Johnson.

Foi muito linda essa rodada. Eu ainda estava curtindo esse momento quando, no dia seguinte, sentada na entrada do jornal, fumando um cigarrinho, o Horta passa e me intima: E aí? É sua vez.

Maior pressão… Subi e joguei.

Rodada ao contrário: esses dias o Luiz Americo Camargo esteve aqui na minha área e comentou duas uvas, bonarda e pinotage. Bonarda já foi. E pinotage? Que obra de arte seria?

O Horta sentiu que eu senti o baque e mandou: Ai coitada, vergonha. Eu nao sei me encontrar sem planejamento com as pessoas, nao sabia o que falar e cobrei a jogada, mas não tem que. A única regra deste jogo é nao ter que nunca. Sorry. Mas responderei, claro.

Eu vou dizer que gostei. Achei que a brincadeira ficou mais acirrada. Primeiro, a lebre veloz. Agora, a cobrança na escada. É!

Daí o Horta, um mestre na arte da citação, mandou mais uma. A resposta dele cita o post em que eu descrevi essa brincadeira.

Enfim, eis o vinho Rauschenberg. Pinotage é uma uva que tem o desagradável cheiro de borracha queimada (ok, nem sempre, mas eu não gosto de Pinotage e logo, me deixa de bode).

Eu exclamei: Lebre, bode… tá ficando ANIMAL essa brincadeira! Hehehe, que infame.

E no meio dessa levada, como num grande acaso, eu descobri a minha nova obra de arte favorita. E agora como quando eu vejo obra de arte eu já penso em vinho, mandei o recado para o Horta, que estava se empanturrando de carnes autóctones lá em my Buenos Aires Querido. Não tive pudores e intimei, com urgência, uma breve pausa no descanso do crítico.

‎"Zebra-galo olhando para um queijo-quente", de Matt Forderer. Essa é a minha nova obra de arte favorita. Horta, precisamos escolher um vinho para ela!

Ele demorou um pouco, mas quando respondeu, esmerilhou:

Bom, o nosso amigo Forderer acho que escreveu sandwich errado (o quadro, no original, chama Rooster Zebra contemplating grilled-cheese sandwhich), ou será que ele queria mesmo misturar wich na brincadeira? Tem a zebra galo, o que remete (aham, estou em férias, posso remeter e insinuar e até conferir na pág. 4) a um zôo bem doidão. Zôo tem cheiro de fazenda africana, logo aquele toque de brettanomices, curral. O cara fez um vinho querendo ser bordeaux, errou a mão no brett (deu zebra…) e ainda produziu uma malolática que deu em queijo. Tudo errado. É um típico vinho feito pelo enólogo, corrigindo daqui e dali: um pinotage dos piores.

Uia.

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Rodada extra

Bonarda, Paños, flores y frutos (1914), de Cesáreo Bernaldo de Quirós

Essa é uma rodada especial, ela tá lá no blog do Horta. Vai lá ver!

Sexta rodada

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Só que essa rodada é diferente. O Horta anunciou a mudança.

Agora é outro jogo, qual vinho exprimiria o azul Klein?

A mudança veio a calhar. Uns poucos dias antes, eu havia sido criticada por meus amigos por brincar essa brincadeira hermética de vinho e arte sem explicar nada para ninguém. Agora, nessa nova modadalidade, tudo fica mais explicado. E, que coincidência, eu tinha pensado em fazer justo algo assim. Acompanhe.

Eu: Pensei em fazer isso ontem! Com um Richard Serra! E, olha que louco, o Horta logo comentou que ia colocar o Richard Serra na jogada, harmonizado com um Pedro Ximenez. Mas depois a gente volta a isso.

Porque o que importa neste post aqui é processo. E eu comecei o quebra-cabeça: Azul Klein…. É certamente um vinho intenso. E tem que ter alguma coisa de nudez nele também. Já que o Klein pirava numa peladinha. Tem algum vinho que de tão tinto e retinto seja meio azul? Ou que tenha gosto de azul de tão tinto? Porque azul Klein não é vinho branco, né?

Horta: Vinho quase azul, hum…tenho que pensar

Continuei: Ei, azul Klein tem alguma coisa aveludada. Tem vinho aveludado, tem não? Tem sim. Um vinho azul Klein é aveludado.

Horta: Aveludado sim! Está tá dificil, hein? Não deixei de pensar no vinho Rauschenberg que você propos. (Depois a gente volta no vinho Rauschenberg.)

Passaram-se uns dias, teve degustação no meio (foi mágico, depois eu conto aqui), gripei, veio o fim de semana, mas ainda era preciso fechar a rodada.

Eu voltei à baila: Horta, a gente ainda precisa decidir que vinho é o azul Klein. O Alexandre Bronzatto sugeriu, na quarta, que aquele porto que ele levou, um vintage Quinta do Crasto, poderia ser uma. Eu tinha pensado em um banyuls… O azul Klein é um vinho de sobremesa?

Essa história de Bronzatto e Quinta do Crasto tem a ver com a degustação. O Bronza levou um porto vintage e deu sua cartada: eu trouxe um vinho aí que pode ser o azul Klein.

Rá.

Horta: Ha! Sabia que você não ia desistir assim! Não sei, azul Klein será sobremesa? Estou pensando.

Pois é, respondi: Eu também não sei…. Eu acho que está mais pra um tinto retinto.

Horta: Sim, um tinto retinto, bem profundo, acho que Tannat é das uvas mais escuras, mas os Cahors, de onde sai a Malbec original também, os vins negres de Cahors, acho que é por aí.

Ui, viu. Eu preciso estudar. Não sei o que é Cahors. Ontem eu dei uma estudadinha porque o Horta andou falando de uns tais Tondonia. Daí eu fui pesquisar pra sacar qual era. E aprendi um bocado. Como, por exemplo, que a uva tempranillo, “como su propio nombre indica, es ‘uva temprana’ con ciclo corto de maduración”. Olha só.

Bom, eis que o Bronza voltou ao papo. Aliás, bem-vindo, Bronza: Aquele não funcionou, mas insisto no Douro. Talvez um Vintage novo, recém engarrafado, violeta no aroma e na cor. Ou então, pra seguir a linha dos tintos retintos profundos, nem de produtor precisamos mudar; dou nome e safra, um dos meus vinhos preferidos: Vinha da Ponte 2007.

O Horta achou bom: Ok, Bronza, você venceu. Vamos de tinto retinto do Douro.

E se o Horta disse que tá valendo é porque tá valendo.

Azul Klein é um tinto retinto do Douro, com nome e sobrenome, Vinha da Ponte, Quinta do Crasto, 2007.

Próxima!

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Quinta rodada

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Fora do tempo regulamentar, mas estava olhando outras coisas e fez plim. Dante Gabriel Rossetti e um gewurztraminer da Alsácia

Ai, esses vinhos alsacianos são tão lindos…

Essa rodada tem double-Horta. Porque eu atravanquei o jogo (fiquei sem jogar uns dias aí). Então essa começa e termina com ele. Mas daí eu joguei:

Um sauvignon blanc despretensioso, desses de tomar no calor, Josef Albers.

Daí olha só o que o Horta falou (até agora eu tô com sorrisão): Você tem muito talento para este negócio, sabia? Este foi daqueles na mosca, perfeito. Prepare-se para 4a, você depois faz ficha de degustaçao com imagens! Que tarefa!

Uau! Iau! Iupi! Eu adorei a ideia! E estou preparando a minha ficha de degustação de imagens. Não tá fácil, mas jájá fica pronto.

A cartada do Horta veio a seguir e foi a última jogada nessa modalidade. Ela vai mudar em seguida. E fechamos essa etapa com chave de ouro, ou melhor, de ardósia:

Richard Long é a mineralidade de pizarra (ardósia) de um Priorato 2 (detalhe). Tô ficando abarrocado, quando começar a colocar pé de página e bibliografia você me leva atrás do estábulo e sacrifica, bang!

O próximo momento desse jogo é mais didático. Aguardem!

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Quarta rodada

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Um rosé da Provence, Degas.

Desde a primeira rodada que eu queria colocar um rosé da Provence. Acho que é por causa da cor. Pensei em Rothko. Mas daí achei que ia ser só a cor mesmo.

Expliquei minha escolha assim: Achei esse meio fácil, tipo rosé, um impressionista. Mas eu poderia ter ido na escolha óbvia de uma paisagem no pôr-do-sol, e achei que era mais legal colocar uma pelada do Degas. Rosé tem a ver com nudez um pouco, não tem?

O Horta curtiu: Haha, estamos indo no caminho da loucura.

E não ficou só nisso, porque ele emendou: Próxima degusta deve ser na semana que vem, se meu nariz desentupir da gripe sinusital.

Então eu fiz um pedido formal: Sr. Nariz do Horta, favor sarar logo. Grata, Heloisa.

Daí foi a vez do Horta:

Beuys e um Chablis.

Que elegância, viu. Beuys com vinho. Esse Horta, viu. Ele é foda.

E tudo indica que ainda nesta semana, se o Dr. Nariz do Horta ajudar, eu vou mesmo a uma degustação com ele. E agora eu só consigo pensar nisso!

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Terceira rodada

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Jerez, Olafur Eliasson.

Ah, essa eu tinha achado muito boa, viu. Mas o Horta não deixou barato não.

Ele perguntou respondendo: “Mas qual jerez? Eu diria o oloroso.”

Eu respondi perguntando: “Qual é aquele amarelão e seco que nem pedra?”

Porque a verdade verdadeira é que eu não saberia dizer um tipo de jerez. Mas a internet taí, né. E lá fui eu, li um tiquinho e arrisquei:

“Poxa vida, tô lendo aqui sobre jerez e descobrindo que todos eles são amarelos e secos… Mas de todos os nomes de jerez, eu simpatizei mais com o oloroso e o amontillado (parece uma coisa meio amontoada). Sendo assim, diria que é um ou outro. E como vc já votou no um, ele venceu.”

Como o Horta é um tonel de conhecimento, ele me ajudou:

“Os finos são bem claros quando muito frescos, verde-água. Mas foi um golaço esta, mesmo pq jerez é meu vinho favorito. Você está convidada para a próxima degusta, se quiser. Tem o chiaroscuro de um oloroso (e de um amontillado também), parece denso e é leve, parece sombra e é sol, e vice-versa. Isto dá obra da Tate que você escolheu.”

E foi assim que ele fez a sua segunda boa promessa, esse convite aí no meio, pra próxima degusta.

E emendou com uma carta que é uma lindeza:

Brancusi, um Riesling austríaco do Wachau, com leve açucar residual. oh yeah! o que o Jay McInnerney chamou sensação de beber a "lâmina de aço de um samurai partindo um pêssego ao meio"

Eu fiquei maravilhada: “Adorei essa! Tem aspas e tudo! E esse Brancusi ele parece mesmo um gole de vinho. Um longo gole.”

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Segunda rodada

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Um zinfandel, Jeff Koons.

O Horta gostou: “Hahahahah, matou! Eu ia fazer Bollinger com Anish Kapoor, mas achei fácil demais, vou quebrar a cabeça para responder. O troféu continua com o Morandi e o riesling alsaciano. Zinfandel, uva de vinhos cheios de maquillage, frufruzentos, meio falsos como um loulou de Jeff Koons”.

YEAH, comemorei. E emendei: “Foi por aí que eu pensei, essa coisa, sei lá, emperiquitada, tipo vinho brasileiro que tenta ficar com aquele gostão. Mas daí teria que ser outro artista”.

E ganhei outro elogio: “Phina dedução. vamos fazer algo com isto!”

E então veio a vez dele:

Típico Shiraz australiano

“Ouch! Preciso provar um desses! Nunca tomei um gancho australiano.”

E o Horta fez a sua primeira boa promessa: “vamos providenciar”.

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Primeira rodada

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Um riesling alsaciano, Giorgio Morandi

Na primeira rodada eu cheguei chegando. O Horta aprovou: “Putz! Foi na mira perfeita”. Eu nem sei bem explicar a minha escolha. Ela veio direto do coração.

Mas daí eu fui com muita sede ao decanter e, sem nem dar a vez pra ele, mandei outra.

Sauternes, Pieter Bruegel, o Velho.

Tsc-tsc. A pressa é inimiga de tudo, mesmo. O meu raciocínio foi o seguinte: em um sauternes acontece tanta coisa quanto num quadro do Bruegel. O Horta comentou:

“É possível, mas eu ficaria mais entre Georges de la Tour e um pôr-do-Sol de Turner para os sauternes. O Bruegel eu atacaria de uma sidra (cidra? Muniiiiiz!?) da Normandia, com aquele frio subindo pelas pernas, a umidade e esta melancolia de crianças sérias. Ou um Armagnac.”

Então foi a vez dele.

Dan Flavin e um Chardonnay bem mineral e sem madeira.

A jogada dele me surpreendeu. “Uia, gostei. Eu achava que você fosse um tipo barroco, à moda antiga, no máximo século 19. Eu tava evitando o século 20 pra frente! Agora liberou.”

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Harmonização de vinho com tudo

Tudo começou na sexta passada, dia triste e cansativo. Eu precisava de descanso. No dia seguinte ia receber uns bons amigos para um almoço. A Ana, de quem já falei aqui, embarcava pra Holanda (ANA DE HOLANDA, gente!), onde vai passar um ano, na terça. O almoço era pra despedir dela. O menu era lasanha, que eu decidir fazer na sexta à noite.

Cheguei em casa, mise en place, abri um vinho, liguei o som e me entreguei à restauradora tarefa de cozinhar. Notando a rápida recuperação do meu estado de espírito, postei a fórmula no Face:

Duas horas depois, o Luiz Horta comentou. Mas pausa para descrever o Horta. O Horta é o Mr. Hulot. Eu não sei o que o Mr. Hulot aprontou lá na França para ter de fugir pra cá. Mas o fato é que ele está ali, trabalhando como crítico de vinhos do Paladar. O Horta usa paletó de tweed com bombacha e All Star. Ele é uma espécie de dândi-indie. O cara é foda. Pois bem, o Horta perguntou:

Eu estava só esperando ele se manifestar. E respondi, sem poder imaginar o que aconteceria depois:

E foi assim que começou:

Em 2006, o Horta tinha proposto em um blog seu antigo uma brincadeira dessas com pintura.

Embaixo das imagens vinha a explicação:

A brincadeira, na verdade é um jogo, é definir os estilos de vinhos, uvas, regiões, através de imagens, mas não retratos dos vinhedos. Assim a imponencia e complexidade vetusta de um Grand Cru de Bordeaux, com duas decadas ou mais nas costas, faz pensar num salão de espelhos bem do grande século. Enquanto que a simplicidade, sinceridade e limpeza de propósitos de um bom Tannat uruguaio imediatamente se conecta com um pintor como Duccio, ou Ucello, ou até Giotto, aquela angulosidade de taninos que fazem parte do contexto, aquela perspectiva tal qual se pode ver. Um cabernet franc do Chinon, um Carpaccio, o pintor não a carne…fiz várias mas vou postar só 3 por enquanto, esperando sugestões. E olha que eu não bebi!

Pois bem, eu que sou bem metida (no sentido de quem se enfia, não no do nariz em pé — espero eu, claro), bem topei a brincadeira. Ela tá rolando no Face. Mas eu vou colocar as rodadas aqui no Caracs. A título de registro.

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