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Autocorrect, o shuffle do escritinho

Eu e sua mãe vamos nos divorciar no mês que vem/O que? Por quê? Me liga, por favor/Eu escrevi Disney e esse telefone mudou. Nós vamos para a Disney

O Damn You Auto Correct reúne as pérolas dadaístas que o sistema de auto-correção do tecladinho do iPhone proporciona a seus usuários.

Eu desliguei o autocorrect do meu, mas como adepta do estilo shuffle de vida, estou pensando seriamente em reativá-lo. É que se você parar e pensar bem ele é um shuffle do escritinho. Você digita e ele escolhe, randomicamente, alguma coisa para você dizer. É arriscado, eu sei. Mas ele abre uma possibilidade e tanto: a de você escrever exatamente o que quer dizer, embora inconveniente, e depois, diante do choque, simplesmente culpá-lo. Foi o autocorrect, sabe?

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Shuffle extreme

Eu já postei essa imagem aqui, mas resolvi postar de novo. Porque isso é um lindo mecanismo dinâmico de acesso randômico à memória

Um dos problemas de abraçar o modo de vida shuffle é que, em algum momento, você se vê procurando maneiras de eliminar cada vez mais o não-aleatório. Em primeiro lugar, uma breve retrospectiva da minha modesta defesa a esse estilo de vida: esses dois posts (este e este) versam sobre o meu iPod Shuffle. Este é pela navegação shuffle. E este sobre novos limites do shuffle.

Mas eu sempre tive uma crise com shuffle do iPod: há uma seleção prévia, pois eu coloquei aquelas músicas lá dentro. Portanto a surpresa é limitada.

(Breve parêntese: na busca por aumentar o espaço do aleatório na minha vida, criei um novo método de alimentação do iPod. É assim: amigos queridos gravam pendrives com músicas para mim, eu coloco todas essas músicas no iPod e coloco no shuffle. Sem saber direito do que se trata. Mas, ainda assim, há uma seleção. Ela só não é mais feita por mim.)

Pois hoje a Tati, que toca o excelente blog P2P escreveu sobre o Shuffler.fm.

Esse maravilhoso serviço online funciona assim: você escolhe um estilo e ele sai tocando músicas. Aleatoriamente. Eu, por exemplo, depois de clicar no canal Folk, acabei de ouvir um lindo cover que o Iron and Wine fez de Waiting for Superman, do Flaming Lips. E dá-lhe shuffle, o modo de vida que abre as portas para as boas surpresas.

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E dá-lhe shuffle

Mais um lindo Mecanismo dinâmico de acesso randômico à memória, também do Sam Lucente

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É claro que a escolha do que vai para dentro do iPod é minha. Mas a ordem que ele decide tocar as músicas é curiosa. Imagino que tenha ali algum sistema de inteligência que perceba quais são as músicas ouvidas e quais eu sempre pulo. Mas o meu iPod faz escolhas mais sofisticadas do que isso.

Ele saca, por exemplo, se estou num dia caubói. E vai de Gram Parsons (obrigada, Fred) a Wilco ao vivo (obrigada, Filipe). Embora, bem quando eu estava escrevendo isso, ele tenha saltado do mesmo Gram Parsons para Ramones. Ele é um DJ ousado. Uma vez, depois de uma sequência de rockinhos mandou ver um João Gilberto. Eu fiquei sem fôlego.

Muitas vezes ele erra. E daí pode acontecer de eu soltar um: Ah, não… E se ele erra de novo, posso dizer: pára, meu… você tá viajando.

Em suma, o shuffle não só elimina o problema da escolha de músicas como faz companhia, vira uma espécie de amigo-dj-invisível (com a vantagem de não magoar com as críticas).

Alguns amigos defendem que qualquer iPod tem a função shuffle. Outros sugerem que eu faça playlists, para ter algum controle sobre o que vai tocar. Eles não entenderam nada.

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PS1: Hoje, o DJzinho que mora no meu iPod mandou uma boa: entre uma sequencia de três The Band e um Gram Parsons ele mandou um Jorge Ben. Eu até achei que o Jorge Ben tem algo de caubói.

PS: Eu ainda volto a falar no Sam Lucente aqui, ô se volto.

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Em defesa do shuffle

Isso é um Dynamic Random-Access Memory Chip. Não sei para que ele serve, mas o nome é bom: mecanismo dinâmico de acesso randômico à memória. Esse diagrama, de Sam Lucente está no MoMA

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Meu iPod é Shuffle, não me deixa escolher o que ouvir.
Todos os meus toca-MP3, até hoje, foram iPods Shuffle. Já tem 3 anos que eu ouço música de forma randômica. Diante de um iPod regular sofro de grave bloqueio. Não passo da escolha entre “artists”, “albums”, etc.

O shuffle dá esse conforto. Entre todas as decisões a tomar, ele me livrou dessa. As músicas que ouço são decididas por ele. Um problema a menos. E daí eu resolvi resolver um outro problema de escolhas.

A partir do momento em que não dá para escolher as músicas que ouve, não é preciso conhecê-las também. Pra que saber o nome da música que está no album xis do artista tal se ela vai tocar na hora em que o shuffle decidir que é adequado?

Daí que meu iPod não é nem alimentado por mim. Ele sofre tranfusões de músicas vindas dos computadores e pendrives gravados por pessoas generosas que gostam de impor seu gosto musical a terceiros (segundos, nesse caso). Mais um problema resolvido. O que baixar? Não sofro disso. A aflição da janela de busca em branco, essa já era.

Esse laissez-écouter, porém, gera outro problema. Se não conheço a música, escuto, gosto e continuo sem saber que raios está tocando. Tem o Midomi, é verdade, mas não há espaço para colocar o iPhone entre o fone de ouvido e o tímpano.

Steve Jobs, sempre astuto, quebrou essa pra mim. O Shuffle novo (que me acompanha desde abril) vem com um botão que diz o nome da faixa e do artista responsável por ela. Como meus fornecedores de canções são cuidadosos de ter suas bibliotecas bem organizadas, com o nome da música no lugar do nome do arquivo e o lugar do artista no lugar adequado, quando eu gosto de uma música (ou quando não gosto e quero apaga-la dali), basta apertar o botão para o meu iPod dizer, quase sempre em voz feminina, que raios está tocando.

Ela, a voz do iPod, costuma ir muito bem na pronúncia. Às vezes engasga. Down, down, down, do Neil Young, virou Down, silêncio, down, silêncio, down. Quando vai falar em português, ela tem sotaque portuga. Ãcãbou Chorare, ela disse dias desses. A vantagem da voz em português é que ela é meio rouca. Bem mais interessante do que o timbre limpo da moça que fala inglês. O pessoal que fala francês também vai bem, digo o pessoal porque tem um homem e uma mulher francófonos. E pára por aí. Não houve ainda músicas em outro idiomas na seleção das pessoas que alimentam meu iPod.

PS – Vale a pena ir atrás desse Sam Lucente, o cara da imagem. Leia perfil sobre ele, na Business Week, em inglês, aqui. E veja o que dele tem no acervo do MoMA-NY aqui

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