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O futuro do desejativo

Eu queria que a pele abria e tudo ficava exposto e eu pegava seu coração pra mim (isso é um exemplo do quanto esse tempo verbal aí pode ser romântico)

Eu inventei um tempo verbal. Chama futuro do desejativo. Ele vem de um erro comum, meio de criança, que todo mundo erra, mas que a cada vez que ouço, escuto mais como desejo do que erro. E é daí que vem o nome.

Funciona assim. Uma pessoa diz a outra:
– Eu queria que a gente ia viajar.

Ela queria dizer:
– Queria que a gente fosse viajar.

Mas fosse é pretérito imperfeito do subjuntivo. E, vai, quem está interessado em algo pretérito, imperfeito e subjuntivo? Ninguém. Por isso o ia.

O ia é concreto e habitual.

Eu queria que a gente ia é como se a gente sempre fosse. É pretérito imperfeito, mas não é subjuntivo e ainda por cima soa como hábito:

– Eu queria que a gente tivesse ido tantas vezes que já fosse ia.

E é claro que pretérito imperfeito indicativo (ia) mais pretérito imperfeito subjuntivo (fosse) soma menos com menos e dá mais. Pretérito com pretérito dá futuro. E é um desejo. Desejo de um futuro em que a gente ir viajar já é um hábito.

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