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Imagina na Copa

Eu tenho vontade de chorar a cada vez que ouço um “Imagina na Copa, quando os gringos…” para iniciar qualquer reclamação. E isso acontece cada vez mais.

Hoje foi no elevador do jornal. Um cara estava falando ao celular dentro do elevador. O sinal caiu e a ligação foi interrompida. Ele bufou, tirou o celular da orelha e disse:

“Imagine na Copa, quando os gringos estiverem falando no telefone e o sinal cair? Que vergonha.”

Esse é um caso duplo-estúpido porque, né, ele tava dentro do elevador.

Outro dia foi no aeroporto. Um terminal de embarque estava temporariamente fechado (ia abrir dali a 20 minutos e todos íamos embarcar para Madri). Mas a ansiedade pré-voo tomou conta de todos e lá veio o:

“Imagine na Copa, quando os gringos usarem esses aeroportos de merda. Que vergonha.”

É sempre no trânsito, quando congestiona e alguém suspira:

“Imagina na Copa, quando os gringos vierem. Que vergonha.”

Meu, que vergonha disso. Que vergonha de nós. Isso sim. Todo mundo já deve ter ouvido ou dito isso. Eu mesma, bobear. Mas me dá vergonha de nós mesmo.

É tudo uma merda e nego tá preocupado com a Copa? Com os gringo? Que vergonha? E o dia a dia? E nós? Hoje?

Os gringos vêm aqui passar no máximo 15 dias. A gente vive aqui todos os dias. Em vez de ter vergonha do gringo, seria mais produtivo começar a reclamar, fazer todo mundo sentir vergonha hoje e usar essa vergonha para produzir algum tipo de progresso de fato. Para as coisas melhorarem porque a gente quer que elas melhorem porque a gente mora aqui todos os dias.

Foda-se a Copa do Mundo, não “imagine na Copa”. Imagina que isso aí de que você está se envergonhando é a real do seu dia a dia e, sei lá, comece sentindo vergonha por aturar isso. Comece sentindo vergonha dessa frase.

 

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Acabou. Agora chega.

Pois bem, agora chega, passou a Copa do Mundo e chega desse papo. Chega de futebol, chega de jogador gato, chega de encher a bola desses caras que já estão com a bola toda.

A lição que fica para mim dessa Copa de 2010 é: quanto mais cedo o Brasil é eliminado, mais divertido fica o torneio, porque aquela roeção de unha em dia de jogo acaba comigo.

Chega de polvo vidente, de vuvuzela, de jabulani. Chega de Forlan, de holandês que dá voadora e de espanhol que toca a bola mas não marca gol. Chega de querer ver o Lugano sem camisa, chega de Casillas beijando a namorada, chega de ver o técnico alemão fazendo seu auto-banquete nariz-boca.

Eu adoro futebol, mas ficar vendo campeonato regional não é pra mim não. Todo mundo diz que Copa do Mundo é coisa de mulher e Brasileirão é coisa de macho, né? Pois que se divirtam com o Brasileirão, se é que isso é realmente possível.

Pra mim chega de SporTV, porque também não dá para querer substituir Copa do Mundo por Mundial de Vôlei, né? Eu até entendo a intenção, mas não aceito essa troca não.

Não sou do esporte mesmo. Nunca fui e talvez nunca seja. Volto a partir de agora ao modo normal. Obrigada a todos pela paciência. E parabéns à Espanha pelo título.

Özil, o mais lindo do faroeste

Estou impressionada. Desde que escrevi o post Özil: a Beleza Está nos Defeitos, há quase dez dias, não há um dia em que não apareça, entre os termos de busca que as pessoas usam para chegar até aqui, uma menção ao jogador, sempre acompanhada de um adjetivo. As mais usadas foram:

Ozil lindo
Também acho
Ozil e gato
Gato-to
Os gatos da copa Ozil
Os não, babe, O gato.
Oziil parece adrien brody
Concordo.
Ozil feio
Não fala assim…
Ozil jogador mais feio
Você não entendeu nada…

Pois em homenagem a toda essa procura, eu também procurei. Procurei até achar. E achei.
Aqui vai, para as fãs desse lindo jogador alemão, uma combinação daquelas. Uma combinação explosiva. Uma combinação não. A combinação: Özil + cowboy.

…Suspiro…

Pois é, como eu já disse aqui, cowboys são meu tipo masculino favorito. O strong silent type, o homem do faroeste, silencioso, viril, matador. O Ozil ainda precisa comer muito arroz com feijão para entrar de fato nessa categoria. Mas que ele ficou bem bonitinho à carater, ah isso ele ficou.

Orgulho de ser paraguaia

(Até o domingo que vem, este blog está meio do futebol. Depois que a Copa acabar, voltamos à rotina normal.)

Venho por meio deste post fazer justiça com as próprias mãos. Assisto neste momento à reprise de Paraguai versus Espanha, valendo vaga na semifinal da Copa. Eu já sei que a Espanha ganhou. Eu torci pelo Paraguai como se tivesse nascido lá. E estou orgulhosa do meu time, a seleção paraguaia.

Hoje, quando abri os jornais, para ler que o Paraguai deu trabalho para a Espanha, a decepção: ninguém viu o jogo que vi. Todos os que escreveram viram a Espanha jogar sozinha, ter dificuldades sozinha, arrancar um golzinho suado simplesmente porque não acertou.

Ninguém dá muita bola pro Paraguai porque o time é mais zaga do que ataque. Porque ele não ganha, mas também não perde. Porque ele não acha o gol.
Pois ontem foi tudo diferente (menos o último item).

O Paraguai partiu pra cima e até a metade do primeiro fez a Espanha jogar na zaga. O Paraguai teve um gol anulado. Quase todos concordam que foi justo. Estão todos errados. Não importa o impedimento, nesse caso. Impedimento é o de menos.

O time do Paraguai, de que me orgulho como paraguaia, protagonizou, de novo, a eliminação mais emocionante da Copa (ok, nesta Copa Gana está pau a pau com a gente, mas eu não estava torcendo para Gana, então não importa). Se em 1998, o golden goal sozinho já se encarregou de todo o drama, em 2010 esse mérito foi de Cardozo.

Ele perdeu um pênalti. E quando o jogo terminou, não aceitou ser consolado. Não queria ninguém por perto. Escorraçou companheiros, cobriu a cabeça e foi e fez e lá pelas tantas estava cercado. Todos consolavam Cardozo. Espanhóis inclusive.

Casillas, que pegou o pênalti, consola Cardozo, que, verdade seja dita, chutou mal mesmo. A foto é de David Gray, da Reuters

Atenção: espanhóis inclusive.

Porque os espanhóis viram o jogo que eu vi. E sabem que o Paraguai não ganhou a partida por um triz.

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Özil, a beleza está nos defeitos

A Alemanha acaba de ganhar da Argentina, dissolvendo meu sonho de ver o duelo Higuain-Lugano. A Mari, minha amiga, perdeu a partida. Está, neste momento, assistindo à reprise do segundo tempo.

Aproveitei para tirar uma teima que me acompanha desde o início da Copa e pedi à Mari que reparasse no Özil e depois me dissesse o que achou.
E ela: “Já reparei”
E eu: “E aí? Acho gato”
E ela: “Eu também, mas achava que era só eu. E nunca contaria isso pra ninguém”

Crédito: Reprodução imago/Contrast

No meio daquele bando de loirinho bonitinho da Alemanha, o Özil é a prova de que a esquisitice, quando bem trabalhada, vence a beleza convencional. Pelo menos pra mim e pra Mari.

Quer dois exemplos? Aí vão eles:

Na minha modesta opinião, o Adrien Brody é o mais gato do mundo hoje

E o Vincent Cassel? Gato, né? Mas olha direito. É um esquisitão também

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CAPSLÓKI DA URUGUAIA

É SÓ GANHAR DE GANA
QUEBRAR OS HOLANDESES NA METADE
E TIRAR A CAMISA ANTES DE LEVANTAR A TAÇA

Credo

“Mas o Kaká xinga ou não xinga?”
“Ele pode falar palavrão?”
“A bispa deixa?”, perguntou outro que desde que foi a um casamento celebrado por ela fica se exibindo por aí.

Daí o Kaká perdeu o gol.

Foi como se fosse o 4 a 0.

Cremos no PUTAQUEOPARIU
No santo VAI TOMAR NO CU
No divino VAISSEFODER.
Na santidade do PUTA MERDA
do FILHA DA PUTA
do CARALHO, PORRA.
Amém

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Kartoten

Que beleza, hein?

PS1: Se batata em alemão é Kartoffel, catota é Kartoten, certo? Certo.

PS 2: Ah, e para quem não está por dentro dos emocionantes lances da Copa do Mundo de 2010, esse comedor de catotinha aí de cima é o técnico da seleção alemã, umas das principais favoritas ao título.

PS 2.2: Será que ele impõe a dieta de meleca aos atletas? Será esse o segredo do time? Ecati….

PS 3: E, olha, eu tento fugir da escatologia, juro que tento, mas o cara comeu ca-to-ti-nha ao vivo para o mundo inteiro ver. Será que teve replay com a câmera super lenta da Fifa? Tomara que não.

PS 4: Será que depois dessa ele vai largar o viciante hábito da ingestão de mucosa nasal endurecida (esse é o nome clínico, tá). Estou torcendo por ele. Porque comer catatotinha assim ao vivo não é brincadeira. Se ele tiver filhos, por exemplo, ele nunca mais vai poder dizer que “não pode cutucar o nariz, se está incomodando, vai ao banheiro e assoa”.

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Aquecimento

Copa do Mundo vai começar logo mais. As propagandas de futebol estão cada vez mais bonitas. Agora, essa da Nike se superou. E está rivalizando com o coro romântico de hooligans.

E o Cristiano Ronaldo, que eu nunca achei nada demais, até que tá bem gato nesse take final. E o Gael estrelando o filme sobre ele? Demais. E o Rooney, barba ruiva, vivendo no trailler, demais. Muito bem.

Vi lá no Matias.

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