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Dançou, Tutu

Eu sou ruim de adivinhar idade de criança (ajudem!), mas está tudo aí. Lara, do alto de seus menos de 5 anos, resolve quase todas as crises de relacionamento que eu já ouvi mulheres de todas as idades descreverem e que eu, do alto dos meus quase-quase 30 anos, já vivi. Ela diz assim:

– Eu vou arrumar outro namorado. Um homem que goste de carinho.

Pronto, gente. Resolvido.

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Todos afetados

O assunto da semana passada, e dessa ainda também, foi a aprovação pelo STF da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Finalmente (demorou, hein), os gays têm direitos no que diz respeito ao casamento. Eu acho que não preciso nem dizer, mas vamos lá: este blog é cemporcento contra qualquer tipo de discriminação e desigualdade de tratamento, a favor da tolerância e, mais do que isso, integralmente a favor do amor. E a favor da piada também. Por isso na sexta-feira, no fechamento, parei o que estava fazendo para comentar com o Matias um post que o sempre perspicaz Leandro Fortino colocou no Facebook:

O poder da síntese

Concordo. Homoafetivo é o relacionamento estável que eu tenho com a minha mãe, que não é puta, mas me pariu. O relacionamento que eu tenho com o meu namorado é afetivo também. Mas, veja só, com ele eu faço sexo e com ela, evidentemente, não. Vamos ao Houaiss:

Afeto é o sentimento terno de adesão, geralmente por uma pessoa ou um animal (Eu vou ignorar o animal).

Chamar o relacionamento de homoafetivo dá margem a achar que os gays moram juntos, andam de mão dadas, mas não fazem a-qui-lo. Dá margem para a carta que saiu no painel do leitor da Folha de hoje. Reparem:

Lamentável a foto em que dois homossexuais estão se beijando (Primeira Página, ontem). Como explicarei a meus filhos que isso é “normal” e que, de agora em diante, teremos de nos acostumar? Direito civil é uma coisa, mas falta de respeito é outra.

Vou sublinhar três coisas e seguir para o que interessa. Primeiro, as três coisas:

1. Ele escreveu ‘normal’ entre aspas…
2. Ele fala em ‘agora em diante’. Agora, cara-pálida… AGORA? Oxe…
3. Beijo na boca, ‘agora’, é falta de respeito, tá, gente?

Certo. Vamos ao que interessa: troque os termos sexo, amor, paixão e afins por afeto e seus derivados nas frases abaixo:

Ele é tão sexy vira “ele é tão afetuoso”.
Estou namorando vira “estou numa relação afetiva estável”.
Apaixonei vira “afetivei”.
Eu quero transar vira “eu quero me afeiçoar”.
Eu amo você vira “eu afeto você” (olha, esse até ficou bonito).
A Paixão de Cristo vira “A Afeição de Cristo”.

Agora note o pulo do gato: Estou apaixonada vira “estou afetada”. Ou seja, quando você, autor da carta do painel da Folha, reclama que aquela bicha é muito afetada, segundo o termo empregado pelo STF, você agora está dizendo que a bicha tá apaixonada. Ai, beee, que delícia. Apaixonou? APAIXONAY.

Diante dessa linda constatação, corri ao dicionário procurar o significado de afetado. Diz o sábio Houaiss:

Afetado: tocado de forma afetiva; assaltado por um sentimento

Mandei essa pro Matias. E ele emendou:

MÃOS AO ALTO! Isso é um afeto!

E lembrem-se sempre dos conselhos da polícia e de todos os especialistas de segurança: nunca, nunca, ofereça resistência a um assalto.

Eu tunguei essa imagem daqui.

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A mais bem vestida do casamento real

Daí já que eu toquei no assunto casamento real, então vamos até o fim. Depois de ver um zilhão de fotos, escolhi a mais bem-vestida. E a eleita do Caracteres com Espaço é Miriam González Durántez (que provavelmente também tem o nome mais legal da festa). Ela é casada com o atual vice-primeiro-ministro do Reino Unido, Nick Clegg.

Por que ela? Porque a roupa dela aponta pra vários lados: é moderna, é retrô e é chique, tudo ao mesmo tempo. As outras todas ou são muito sóbrias (na tentativa de ser uberchique) ou são ridículas mesmo. A dela podia ter ficado ridícula mas não ficou. Eu gosto particularmente da combinação de cores e do enfeite na cabeça, que é metade flor, metade turbante. E do jeito que o tule, preso na diagonal formando pregas, termina num demi-rufo no pescoço. Bonito demais. Tudo bonito. Parabéns, González Durántez.

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Lá vem a noiva, deixa vir a noiva

E não é que, no fim das contas, o príncipe Harry ficou mais bonito que o William?

Eu bem que tentei, mas não deu para passar batido pelo casamento real, a nova princesa e todas essas coisas. Eu vou aproveitar o gancho para dar minha controversa opinião sobre casamento. Gancho, para quem não sabe, é o nome que nós, jornalistas, damos para o truque de pegar um assunto momentoso (o casamento real) para fazer um trololó sem fim (veja a seguir).

Eu tentei ignorar a gênese da princesa Kate. Mas hoje, no meu maravilhoso plantão, assisti a um compacto da cerimônia. E foram tantas reflexões a partir do breve resumo em vídeo que a única coisa que eu posso afirmar categoricamente é: sorte a nossa que eu não vi a cerimônia inteira, se não esse blog ia ficar falando do casório por dias a fio.

Dito isso, vamos ao casamento. Não o compromisso, a relação, a vida a dois, nada disso. Mas a cerimônia, a festa, a hora do sim.

É que em algum momento, sei lá eu como foi que isso aconteceu, alguma mulher, ou algum casal, ou sei-lá-eu-o-quê, mas certamente alguém muito mal humorado, resolveu espalhar por aí que casamento é bobagem, que é uma instituição falida e que a coisa mais jeca do mundo é fazer festa de casamento, com bolo, tim-tim e vestido branco.

Resultado: uma geração inteira de mulheres foi privada do direito de querer casar vestida de princesa, com dia de noiva, aceita?, sim!, é de livre e espontânea vontade?, sim!, então pode beijar a noiva, chuác. Nanananina. Nada disso. Não pode, a gente é moderna, independente. Isso aí é pra mulherzinha besta.

O ritual do casamento para essas pobres infelizes (entre as quais eu me incluo) é super emocionante. Veja só, é assim: encaixota tudo, chama o carreto, desce as caixas, vruum, sobe as caixas, desempacota, arruma, arruma e arruma. Fazer mudança é chato, né? Pois é. A gente casa assim. E parece que isso aí, essa absoluta ausência de festa e de graça, garante uma relação mais verdadeira, um casamento mais autêntico. Ah, tenha dó!

Então (repare, esse é o truque do gancho) aproveitando o casamento de Kate e William, eu venho aqui, diante de todos, defender abertamente que toda mulher (até as modernas!) tem o direito de sonhar com um casamento completo, com cerimônia, festa, madrinhas e bufê. Atenção, você, mulher independente, que trabalha muito e ganha bem, que lê muitos livros e assiste a muitos filmes, que ouve rock e vai para a balada com as amigas: querer casar não vai transformar você em uma dona de casa. Pode ficar tranquila. Seu marido não vai virar um autoritário machista só porque alguém disse: pode beijar a noiva.

Aliás, se você for feminista pra valer, pode pedir pra quem for celebrar a sua cerimônia que diga: pode beijar o noivo. Acho que isso resolve a crise do machismo, não? (Se pode isso? É você que manda no seu casamento, ué. E se você quiser que o cara diga pode beijar o noivo, manda ele dizer.)

Ser noiva, ou, traduzindo em miúdos, ser o centro das atenções, é seu direito. Mesmo que você se vista de branco, que, convenhamos, não favorece ninguém. Mesmo que signifique carregar para a igreja seus amigos ateus. Mesmo sabendo que alguma amiga sua vai ser motivo de piadas porque vai errar o look. Sim, você pode (inclusive tirar sarro da amiga mal vestida)!

Noiva é chata? Às vezes sim. Por isso não vale ser malandra e querer fazer a noiva por um ano. Tem muita mulher por aí usando esse truque.

– Eu vou casar!
– Jura! Que lindo! Quando?
– Em SETEMBRO DE 2012.

Querer usufruir do status de noiva por mais de três meses é a igual a querer ficar grávida por dois anos só pra furar fila. Não cola, esquece, ninguém vai dar bola pra conversa sobre o cardápio da festa por mais de três meses. Porque a gente adora conversar sobre o cardápio da festa com as amigas que vão casar. Mas é porque elas são nossas amigas e não porque a gente realmente goste de conversar sobre isso.

A Belle, a minha Kate, porque pra mim ela é a noiva do ano e a princesa mais linda, foi que trouxe esse tema para o rol de coisas sobre as quais eu penso. A Belle, para quem não conhece, é um mulherão. Gata, brilhante e com um humor desses que só acontecem a cada 100 bilhões de anos. Ela encarnou a bridezilla no início deste ano. E entre escolher o convite, definir o cardápio e provar o vestido, eu acompanhei feliz da vida os dramas da noiva do ano. E sempre ouvia dela, ainda que nas entrelinhas, o pedido: me deixa ser noiva com N maiúsculo? Posso pirar? Quero ser princesa!

Vai lá, gata, arrasa! Você pode! E você também pode!

Pois bem, e foi a Belle que me ensinou o segredo do casamento feliz. Para tudo dar certo, a noiva precisa usar something old, something new, something borrowed, something blue (algo novo, algo velho, algo emprestado e algo azul). E com isso, a-há, voltamos ao casamento real. No caso de Kate, o something old era a renda do vestido feito pela Sarah Burton, da Alexander McQueen. É uma renda tradicional irlandesa, chama Carrickmacross, foi feita à mão pela Royal School of Needlework (achei meio trapaceado isso aí, porque pra mim something old é uma coisa usada mesmo, mas vá lá). O something new eram os brincos, presente dos pais dela. Blue era um lacinho costurado por dentro do vestido, para não melar a rima nem o look.

A não ser que você tenha dinheiro para comprar uma joia Cartier vintage, não tenta copiar não. Não vai ficar igual

Mas o que realmente importa neste caso é o something borrowed. Se você pira em caixa de jóias de vó (eu piro e a Belle eu sei que pira, também. Ela até conseguiu um anel da caixa da vó), imagina quando a vó do seu marido é a rainha da Inglaterra. A Kate entrou linda na abadia usando uma coroa de diamantes da Cartier, de 1936, vinda direto da caixinha de jóias da vó Bete. Pas mal.

Até que hoje, nessa pálida manhã de sábado de plantão, a TV aqui ligada, eu vi uma matéria com a repercussão do casamento em uma feira de noivas em SP. E lá estavam as tentativas de cópia da tal coroa, fazendo o maior sucesson entre as novas noivas por causa da Kate.

Ai, tristezinha, elas não entenderam direito! Não é pra copiar a coroa! É muito mais legal copiar a ideia da coisa. Em vez de ir na feira de noivas procurar uma coroa que pode ser que seja parecida com aquela da princesa, copia a atitude e vai procurar alguma coisa bonita na caixa de jóias da vó.

A sua vovózinha era pobre-pobre de marré derci e não tem nenhuma joia, nenhuminha da silva? Eu duvido, mas, tá, vasculha o armário da velha que alguma coisa legal sempre aparece. Sempre tem alguma coisa bonita no armário, na penteadeira, no criado-mudo da vó. As minhas sempre me surpreenderam (elas são duas lindas, mas nunca chegaram a ser princesas, embora uma tenha sido miss primavera ou algo assim).

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Autocasamento e autodivórcio

Chen Wei-yi, 30 anos, informou neste domingo (7) que se casou consigo mesma depois de oferecer um banquete de casamento. A cerimônia aconteceu no sábado, num hotel de Taipé, e contou com a presença de 30 parentes e amigos. “Casar comigo mesma é uma forma de mostrar que sou confiante e que me aceito como eu sou”, declarou Chen. “Devemos nos amar antes de podermos amar os outros. Eu devo casar comigo antes de casar com alguém especial.”.

Diante dessa notícia, enviada pra mim pelo Chico Mattoso, pensei duas coisas:

1. Que ridículo! Casar consigo mesma ‘para mostrar que está confiante e se aceita’, mostra justo o contrário.
2. Que inveja! Essa mulher é a única pessoa do mundo que pode se divorciar de si mesma. Entrou em crise? É só pedir o autodivórcio.

Atenção: como o Chico tem dois blogs, o nome dele linka pra um e o sobrenome pra outro, se quiser ver os dois, tem que clicar nos dois nomes).
PS: Com todo seu poder de síntese, Chico comentou: achei meio característico com espaço. Adorei a expressão.

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O cobertor do casamento feliz

Para um casamento melhor, elimine o peido

O Better Marriage Blanket promete fazer seu casamento melhor. Como? Simples: eliminando o odor do peido noturno. É verdade que o peido noturno é especialmente capicioso, porque ele se acumula debaixo das cobertas e sempre encontra um túnel para sair direto na cara de um dos envolvidos. Peidar debaixo do edredon é algo que até os maiores adeptos do movimento do peido livre podem ser contra.

Veja que beleza de comercial (eu tive de pegar essa versão pirateada porque a original teve a incorporação desabilitada mediante solicitação blablabla):

O Better Marriage Blanket tem uma camada de carbono ativado, tecnologia que obviamente veio de alguma coisa que os astronautas usam. Essa camada absorve rapidamente, segundo o comercial, o veneno do peido. De maneira que a emissão gasosa fica inodora.

A ideia até que não é de todo má. Agora, daí a dizer que isso vai fazer seu casamento melhor… é exagero. Mas o pior é que tanto no vídeo quanto no site do produto é sempre o cara que peida e a mulher que reclama. É muito machista isso! Mulher também peida à noite. E esse peido pode ser tão ou mais mortal do que o do homem!

Você deve isso ao seu casamento

Essa eu vi no reader da Juliana Cunha que viu aqui.

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