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Engata a primeira e vai

Cada pé num pedal, uma mão no volante, a outra no câmbio, um olho no gato, outro no peixe... eu, hein, prefiro ônibus

Eu não dirijo. Eu até tirei carta, mas ela está vencida há muitos anos. Eu gostava de dirigir e não lembro direito como foi que parei de gostar. Só sei que num dado momento da vida, em que havia um carro na garagem que eu poderia dirigir, essa tarefa já me parecia por demais complicada.

São algumas as complicações que me afastam do volante (e eu nem vou entrar aqui nos assuntos baliza e ladeira, muito menos na combinação baliza na ladeira).

Em primeiro lugar, eu fico confusa diante de tantos espelhos. Tem de olhar para os três e ainda olhar pelo vidro. Eu só tenho dois olhos e eles não trabalham de maneira independente, não dou conta de quatro alvos. Em segundo lugar, sabe aqueles bonequinhos que têm um tambor nas costas, uns chocalhos na perna e tocam corneta e marcham e pararatimbum, tudo ao mesmo tempo? Eu me sinto assim no carro: aperta o pedal, mexe no câmbio, vira o volante, olha pro espelho e pararatimbum. Sério, não é pra mim.

E tem mais uma coisa que me intriga, que é esse papo de mudar a marcha. Na vida, eu sou adepta do engata-a-primeira-e-vai. No carro, esse princípio dá bem certo, mas é por pouco tempo. “O carro pede”, sempre me ensinam quando eu digo que não entendo direito quando é que muda a marcha. Na verdade, da primeira pra segunda e pra terceira eu até entendo o pedido do carro. Ele dá uma espécie de gritinho mesmo. O que eu nunca saquei é o momento de reduzir a marcha…

Daí que hoje eu estava pensando nisso, não exatamente nisso, mas quase, e me liguei que essa é uma boa metáfora para a vida. É difícil saber a hora de reduzir a marcha. Eu vou nesse engata-a-primeira-e-vai e não percebo quando é hora de voltar pra marcha anterior, de pisar no freio e reduzir. Para o alto e avante, né? Pois é, às vezes não. E o que acontece quando você não faz isso direito? O carro dá aquelas engasgadas. Na pior das hipóteses morre. E daí toca dar a partida de novo.

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Tendência é para todos

Essa propaganda do Honda Jazz é genial. Ela lança a pergunta: quantos hipsters cabem no Honda Jazz. E o que se segue é lindo. Moderninhos montados com suas polaroids, bicicletas, livros da penguin, toca-discos-vinil no painel. A minha parte favorita é quando o hipster principal diz: “e pra você que ama ironia, o manuel é impresso em Arial”. E a menina do lado: “Irônico”.

Eles citam Murakami, Godard e Kerouac e até o Look at That Fucking Hipster. Irônico.

A última frase do comercial é: “como dizia Jack Kerouac, ‘grandes feitos não são conquistados por pessoas que se submetem a tendências, caprichos ou à opinião dos outros'”. Duplamente irônico. É óbvio que todos no comercial seguem as tendências, eles são a tendência e são fissurados nas tendências, nos caprichos e na opinião dos outros. É tudo ironia. Ironia vezes ironia sobre ironia elevado à ironia.

E por isso funciona: fica engraçado.

Assim que assisti o videozinho, ainda rindo do “esse carro é um reminiscente de Godard”, lembrei de outra propaganda que tentava fazer isso mas não conseguiu, porque caiu na armadilha de querer dizer a sério que quem compra o carro tal faz isso porque não segue tendência. O resultado: um filminho pretensioso, mal-humorado e cheio de preconceito (a minha turma é melhor, todas as outras pessoas são idiotas).

Não adianta, todo mundo segue tendência. Pode ser que você siga antes, que eu siga depois, que ele demore anos. Mais cedo ou mais tarde, uma ou outra coisa, todos estaremos na moda, mesmo que isso seja estar fora dela, o que muitas vezes é o que está mais na moda.

PS: O meu blog decidiu voltar a embedar vídeos do YouTube, como é possível perceber neste post. Com isso, nós ficamos mais cool por aqui por apenas um dia. Voltamos à carne de vaca, voltamos ao normal. Obrigada a todos os envolvidos.

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