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Ana na Europa

“Hitler tinha tudo, tudo pra ter sido um desses malucos que moram no ponto de ônibus e começam a berrar incisivamente (ele sabia fazer isso, falar cuspindo) sobre alguma teoria maluca que não faz nenhum sentido. Dessas que você escuta atentamente justamente porque são muito mirabolantes. Entre uma observação e outra sobre como ele seria escolhido para liderar a raça ariana até a hegemonia étnica, e como transformaria Berlim na Germania, que seria a capital do mundo puro, ele daria um gole em uma garrafa de gin barato. Daí seu ônibus chegaria e você nem ia lembrar do cara – talvez comentasse do louco engraçado pra um ou dois amigos.”

Ai, essa Ana, viu. Eu se fosse você acompanhava as brisas dela pela Europa, como essa, sobre Berlim.

Harmonização de vinho com tudo

Tudo começou na sexta passada, dia triste e cansativo. Eu precisava de descanso. No dia seguinte ia receber uns bons amigos para um almoço. A Ana, de quem já falei aqui, embarcava pra Holanda (ANA DE HOLANDA, gente!), onde vai passar um ano, na terça. O almoço era pra despedir dela. O menu era lasanha, que eu decidir fazer na sexta à noite.

Cheguei em casa, mise en place, abri um vinho, liguei o som e me entreguei à restauradora tarefa de cozinhar. Notando a rápida recuperação do meu estado de espírito, postei a fórmula no Face:

Duas horas depois, o Luiz Horta comentou. Mas pausa para descrever o Horta. O Horta é o Mr. Hulot. Eu não sei o que o Mr. Hulot aprontou lá na França para ter de fugir pra cá. Mas o fato é que ele está ali, trabalhando como crítico de vinhos do Paladar. O Horta usa paletó de tweed com bombacha e All Star. Ele é uma espécie de dândi-indie. O cara é foda. Pois bem, o Horta perguntou:

Eu estava só esperando ele se manifestar. E respondi, sem poder imaginar o que aconteceria depois:

E foi assim que começou:

Em 2006, o Horta tinha proposto em um blog seu antigo uma brincadeira dessas com pintura.

Embaixo das imagens vinha a explicação:

A brincadeira, na verdade é um jogo, é definir os estilos de vinhos, uvas, regiões, através de imagens, mas não retratos dos vinhedos. Assim a imponencia e complexidade vetusta de um Grand Cru de Bordeaux, com duas decadas ou mais nas costas, faz pensar num salão de espelhos bem do grande século. Enquanto que a simplicidade, sinceridade e limpeza de propósitos de um bom Tannat uruguaio imediatamente se conecta com um pintor como Duccio, ou Ucello, ou até Giotto, aquela angulosidade de taninos que fazem parte do contexto, aquela perspectiva tal qual se pode ver. Um cabernet franc do Chinon, um Carpaccio, o pintor não a carne…fiz várias mas vou postar só 3 por enquanto, esperando sugestões. E olha que eu não bebi!

Pois bem, eu que sou bem metida (no sentido de quem se enfia, não no do nariz em pé — espero eu, claro), bem topei a brincadeira. Ela tá rolando no Face. Mas eu vou colocar as rodadas aqui no Caracs. A título de registro.

Pra ver todas as rodadas, clique aqui.

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Ana: não dá pra desenhar

Cool desde a mais tenra infância

Quando Lost acabou, o Matias fez, no Sujo, um especial em que chamou um bando de gente pra comentar o fim da série. Ele me pediu um desenho. Eu resolvi desenhar os Lostmaníacos do Link falando sobre aquelas baboseiras todas. Peguei fotos deles e comecei a desenhar por cima. Quando chegou a hora de desenhar a Ana aconteceu uma coisa muito estranha. Eu desenhava, desenhava, desenhava. E nunca ficava parecido. No dia seguinte, eu disse a ela: Mano, acho que você é indesenhável.

Ela contou de outros casos semelhantes. E chegamos à conclusão que é isso mesmo. E se não dá pra desenhar a Ana, eu é que não vou gastar meus dedos aqui tentando descrevê-la. Não tem jeito. Só conhecendo mesmo pra entender.

Um tempo depois, ela me chamou no Gtalk pra perguntar o que eu achava de ela largar o emprego para ir ser au Pair na Holanda. Como tá na moda esse papo de vazamento de documentos sigilosos, eu vou vazar aqui uma parte do diálogo.

Eu: Acho que essa inquietação de ir viajar deve ser respeitada. Antes que você comece a ganhar mais e realmente passe a não valer mais a pena viajar.
Ana: Obrigada pelo trecho ‘acho que essa inquietação de ir viajar deve ser respeitada’. É uma inquietação mesmo e, geralmente, as pessoas dizem pra ter calma… eu tô calma há 5 anos…
Eu: Ah, sei bem o que é isso. E essa inquietação aparece várias e várias vezes na vida, pode ir se acostumando. E é quase sempre assim: ir morar sozinho ou ir viajar? Ter filho ou ir viajar? Comprar um apartamento ou ir viajar? Ou seja, o melhor a fazer é ir viajar o quanto antes!
Ana: HAHAHAHA

Pois bem, como a Ana é muito inteligente, ela ouviu meus conselhos (e imagino que o de um tanto de outras pessoas que deram os mesmos conselhos) e, na semana passada, saiu do Link pra rodar o mundo, como deve ser feito. Vai deixar uma saudade absurda. E não adianta vir com o papo de que agora tem a internet, sempre teremos o Gtalk e isso sem falar no Facebook. Só quem passa a tarde sentado numa fileira de mesas em que um dos lugares é ocupado pela Ana sabe a falta que ela vai fazer.

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