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Obrigada, meus bons amigos-ogã

Eu já fiz aqui algumas defesas à perda do controle. Já elogiei quem caminha sobre jacas, já fiz uma ode ao descarrilamento. Mas hoje me ocorreu que eu nunca prestei homenagem a um elemento fundamental para que essas coisas todas corram bem: os amigos-ogãs.

Ogã é, no candomblé, alguém que não entra em transe durante o ritual. Tem vários tipos de ogã (tem o do batuque, tem o que faz os sacrifícios e tal). E tem um tipo de ogã que é o que fica de olho na galera que tá em transe. Ele fica ali cuidando pra que tudo dê certo, ele parte do pressuposto que aquelas pessoas ali não respondem por si naquele momento. Elas são Oxum, Iemanjá, Ogum e tal. Não são fulano, beltrano e siclano.

O amigo-ogã é aquele que parte do pressuposto que você pode pomba-girar (em tempo, ele pode estar em transe também, sem grilos). Que pode baixar um santo (ou um capetinha) e a coisa sair do controle. É ele que não deixa você se estabacar na escada. É ele que, quando você começa a causar, tira você dali, põe no táxi e leva pra casa. É ele que fica com você na madrugada conversando até tudo passar. O amigo-ogã protege.

Amigo-ogã não tenta desgirar a pomba. Ele sabe que não adianta tentar conter a explosão. Explosão quando vem vem. Ele deixa a explosão explodir, mas cuida para que os destroços não gerem vítimas desnecessárias. Amigo-ogã entende a importância da catarse. E só quem tem amigo-ogã pode ter catarse em paz. E ter catarse é bom. É duro às vezes. Às vezes dói bastante. Mas é dessas dores curativas. Quem nem passar merthiolate. Arde. Mas você sabe que precisa arder pra sarar.

Olha, eu estaria ferrada sem os meus amigos-ogãs.

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Just you, just me (versão brasileira: Caracteres com Espaço)

De quem é esse braço mesmo?

Só eu, só você
vem cá no cantinho
ficar agarradinho

Só nós, chega aí
é saudade demais
Não posso com isso

Aí, pega esse braço
e faz um laço
E vem aqui pertinho

Só eu, só você
de quem é esse braço
não dá pra saber

Você pode cantar junto. Dá play e solta a voz:

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O futuro do desejativo

Eu queria que a pele abria e tudo ficava exposto e eu pegava seu coração pra mim (isso é um exemplo do quanto esse tempo verbal aí pode ser romântico)

Eu inventei um tempo verbal. Chama futuro do desejativo. Ele vem de um erro comum, meio de criança, que todo mundo erra, mas que a cada vez que ouço, escuto mais como desejo do que erro. E é daí que vem o nome.

Funciona assim. Uma pessoa diz a outra:
– Eu queria que a gente ia viajar.

Ela queria dizer:
– Queria que a gente fosse viajar.

Mas fosse é pretérito imperfeito do subjuntivo. E, vai, quem está interessado em algo pretérito, imperfeito e subjuntivo? Ninguém. Por isso o ia.

O ia é concreto e habitual.

Eu queria que a gente ia é como se a gente sempre fosse. É pretérito imperfeito, mas não é subjuntivo e ainda por cima soa como hábito:

– Eu queria que a gente tivesse ido tantas vezes que já fosse ia.

E é claro que pretérito imperfeito indicativo (ia) mais pretérito imperfeito subjuntivo (fosse) soma menos com menos e dá mais. Pretérito com pretérito dá futuro. E é um desejo. Desejo de um futuro em que a gente ir viajar já é um hábito.

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Algumas coisas são mesmo inevitáveis

Sério, não fique com preguiça não. Dá play aí.

Dia de São Valentim

Pode sentar, deitar, fica à vontade, ele é todo seu