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Sexta rodada

Para entender que papo de rodadas é esse, leia aqui.

Só que essa rodada é diferente. O Horta anunciou a mudança.

Agora é outro jogo, qual vinho exprimiria o azul Klein?

A mudança veio a calhar. Uns poucos dias antes, eu havia sido criticada por meus amigos por brincar essa brincadeira hermética de vinho e arte sem explicar nada para ninguém. Agora, nessa nova modadalidade, tudo fica mais explicado. E, que coincidência, eu tinha pensado em fazer justo algo assim. Acompanhe.

Eu: Pensei em fazer isso ontem! Com um Richard Serra! E, olha que louco, o Horta logo comentou que ia colocar o Richard Serra na jogada, harmonizado com um Pedro Ximenez. Mas depois a gente volta a isso.

Porque o que importa neste post aqui é processo. E eu comecei o quebra-cabeça: Azul Klein…. É certamente um vinho intenso. E tem que ter alguma coisa de nudez nele também. Já que o Klein pirava numa peladinha. Tem algum vinho que de tão tinto e retinto seja meio azul? Ou que tenha gosto de azul de tão tinto? Porque azul Klein não é vinho branco, né?

Horta: Vinho quase azul, hum…tenho que pensar

Continuei: Ei, azul Klein tem alguma coisa aveludada. Tem vinho aveludado, tem não? Tem sim. Um vinho azul Klein é aveludado.

Horta: Aveludado sim! Está tá dificil, hein? Não deixei de pensar no vinho Rauschenberg que você propos. (Depois a gente volta no vinho Rauschenberg.)

Passaram-se uns dias, teve degustação no meio (foi mágico, depois eu conto aqui), gripei, veio o fim de semana, mas ainda era preciso fechar a rodada.

Eu voltei à baila: Horta, a gente ainda precisa decidir que vinho é o azul Klein. O Alexandre Bronzatto sugeriu, na quarta, que aquele porto que ele levou, um vintage Quinta do Crasto, poderia ser uma. Eu tinha pensado em um banyuls… O azul Klein é um vinho de sobremesa?

Essa história de Bronzatto e Quinta do Crasto tem a ver com a degustação. O Bronza levou um porto vintage e deu sua cartada: eu trouxe um vinho aí que pode ser o azul Klein.

Rá.

Horta: Ha! Sabia que você não ia desistir assim! Não sei, azul Klein será sobremesa? Estou pensando.

Pois é, respondi: Eu também não sei…. Eu acho que está mais pra um tinto retinto.

Horta: Sim, um tinto retinto, bem profundo, acho que Tannat é das uvas mais escuras, mas os Cahors, de onde sai a Malbec original também, os vins negres de Cahors, acho que é por aí.

Ui, viu. Eu preciso estudar. Não sei o que é Cahors. Ontem eu dei uma estudadinha porque o Horta andou falando de uns tais Tondonia. Daí eu fui pesquisar pra sacar qual era. E aprendi um bocado. Como, por exemplo, que a uva tempranillo, “como su propio nombre indica, es ‘uva temprana’ con ciclo corto de maduración”. Olha só.

Bom, eis que o Bronza voltou ao papo. Aliás, bem-vindo, Bronza: Aquele não funcionou, mas insisto no Douro. Talvez um Vintage novo, recém engarrafado, violeta no aroma e na cor. Ou então, pra seguir a linha dos tintos retintos profundos, nem de produtor precisamos mudar; dou nome e safra, um dos meus vinhos preferidos: Vinha da Ponte 2007.

O Horta achou bom: Ok, Bronza, você venceu. Vamos de tinto retinto do Douro.

E se o Horta disse que tá valendo é porque tá valendo.

Azul Klein é um tinto retinto do Douro, com nome e sobrenome, Vinha da Ponte, Quinta do Crasto, 2007.

Próxima!

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