4 pequenas coisas chatíssimas da vida

1. Você está pronto para dormir, está meio friozinho, daí você entra no banheiro e pisa, de meia, numa poça d’água do banho que acabou de tomar.

2. Continua frio, você está de casaco, vai lavar as mãos e, na hora de erguê-las para alcançar a toalha, uma gotinha escorre até o seu cotovelo.

3. Gases (em um ambiente em que você não pode fazer a vuvuzela; quer lutar pelo fim dessa chatice? Clique aqui)

4. Você está chegando ao ponto de ônibus, não tão perto que dê para correr até ele, não tão longe que não dê para vê-lo. E seu ônibus passa.

E aí. O que fazer? Lembre-se da resposta do coro grego no fim de Poderosa Afrodite.

Dica: funciona muito melhor se você fizer a dancinha junto.

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Credo

“Mas o Kaká xinga ou não xinga?”
“Ele pode falar palavrão?”
“A bispa deixa?”, perguntou outro que desde que foi a um casamento celebrado por ela fica se exibindo por aí.

Daí o Kaká perdeu o gol.

Foi como se fosse o 4 a 0.

Cremos no PUTAQUEOPARIU
No santo VAI TOMAR NO CU
No divino VAISSEFODER.
Na santidade do PUTA MERDA
do FILHA DA PUTA
do CARALHO, PORRA.
Amém

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Ainda sobre metrô

“Na hora do rush nada como uma tristeza expressa! No ônibus lotado a tristeza não tem fim!”

Fernanda Pappalardo
Estilista e, a partir de agora, para mim, poeta

Falando em metrô

A Tati achou esse video que tem tudo a ver com esse papo de cara de metrô.

Merci!

Eu fico com a pureza da resposta das crianças

Sim, tem um tanto de “Amar é”, eu sei. Mas foda-se, eu sou a favor da pieguice, então aqui vai. Crianças definem o que é amor:

Minha favorita:

“Quando uma pessoa ama você, o jeito que ela fala o seu nome é diferente. E você sabe que seu nome está seguro na boca dela”.

Billy, 4

Três boas definições de casamento:

“Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são amigos mesmo depois de se conhecer tão bem”
Tommy, 6

“Quando minha avó teve artrite, ela não conseguia mais se inclinar para pintar as unhas dos pés. Então, meu avô faz isso para ela o tempo inteiro, mesmo depois de ele ter artrite nas mãos também.”
Rebecca, 8

“Amor é quando a minha mãe faz café para o meu pai e daí ela toma um golinho antes de dar para ele, para ter certeza de que está gostoso”
Danny, 7

Se é para ser piegas, sejamos piegas do começo ao fim. E com orgulho

Quer ver mais? Vai aqui.

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Cara de metrô

Eu não dirijo. Tirei carta de motorista e tal, mas não dirijo, o que considero um privilégio, levando em conta que moro em São Paulo, onde tomar a decisão de dirigir é aceitar que muitos minutos do seu dia serão bem tensos.

Antonio Jorge Gonçalves viaja o mundo desenhando as pessoas no metrô; essa é em SP

Além de não dirigir, eu não gosto de andar de metrô. Não quer dizer que eu não goste do metrô. Sou a favor de que esburaquem a cidade inteira para fazer infinitas estações, o que é evidentemente a melhor solução para diversos problemas.

Mas pessoalmente, ou existencialmente até, eu não gosto do metrô. Em primeiro lugar, porque o metrô descontextualiza tudo. Você entra num buraco e alguns minutos sai de outro buraco em outro canto da cidade. Como você chegou até lá? De metrô, claro. Mas qual foi o caminho? A resposta pode parecer simples se você morou em São Paulo a vida inteira. Mas se até um dia desses você não sabia que Perdizes era vizinho da Barra Funda, não é andando de metrô que você vai descobrir.

Jorge Colombo, o cara que fez a capa da New Yorker no iPhone, depois fez a da Serrote, também tem uma série de desenhos no metrô. De NY

Prefiro andar de ônibus. O ônibus é mais ensolarado, mais ventilado. As pessoas conversam ali. Cobrador e motorista estão à vista, são os donos do pedaço. Eles ditam a dinâmica do ambiente coletivo. As conversas são mais engraçadas. As chances de uma grande interação entre vários passageiros é maior no ônibus. Eu já estive em cenas inacreditáveis em trajetos de linhas paulistanas.

Mas, voltando ao metrô, o pior mesmo, para mim, é a “cara de metrô”. Ali, no subterrâneo, naquele mundo sem contexto, todo mundo parece que lembra de todos os cansaços, todas as frustrações, tudo. E todo mundo faz cara de metrô. Olhando o nada, refazendo o dia ou prevendo como ele será. Ninguém olha pra ninguém. E quando olha, é de canto de olho e quase sempre em reprovação.

Mas eu acho que quem puxou essa fila foi Walker Evans, fotógrafo norte-americano, que tirava fotos dos passageiros com uma câmera das quantas que era bem discreta

Eu entro no metrô normal e saio de lá uns dois graus mais triste e mais preocupada com a humanidade. Baixa uma espécie de Madre Teresa de Calcutá do bom humor. “Precisamos salvar o estado de espírito das pessoas”, sempre penso quando volto à superfície.

Mais um do Gonçalves (você pode ver todos no site Subway-Life.com). Este é em NY também

PS: Por algum motivo, eu não consigo colocar link nas legendas. Então aqui vai: para ver os desenhos de Gonçalves, clique aqui. Para ver os de Jorge Colombo, aqui. E para ver os do Walker Evans, dá um Google nele (que é o que fiz aqui).

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Chiclete no topete

Para comemorar o 150º post do Caracteres com Espaço, vamos trocar de topete. Como eu já disse aqui, os topetes do Caracteres são um oferecimento da Veridiana Scarpelli, a ilustradora oficial deste blog e autora do Dona Margot.

A título de registro, o topete substituído

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