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Fora da moda

O Matias postou há dias e eu não tinha visto. Que vídeo maravilhoso.

Dê adeus à sua produtividade

Conheça o Pronunciation Manual, o melhor canal do YouTube de todos os tempos.

Obrigada, Santarosa

Quebra tudo

Yeah!

HuahuahHUaHUA

Muito mais aqui.

A roupa de Jobs

Taí texto que escrevi no Link sobre a calça jeans com blusa de gola rolê preta.

A escolha foi feita em 1998 e mantida até a última apresentação de produto, em junho de 2011. Calça jeans, blusa de gola rolê preta e tênis. Como tudo o que está relacionado a Steve Jobs, seu vestuário virou símbolo – e a procura pelos suéteres pretos da marca escolhida por ele dobrou de quarta-feira para cá.

O traje repetido facilita a criação do ícone. Jobs não deixou para os editores de foto a escolha da roupa com a qual sua figura seria imortalizada. Ao mesmo tempo, a repetição permitiu que o mundo acompanhasse, ano a ano, o avanço de seu abatimento.

A dupla calça jeans e blusa preta segue a lógica de tudo que Steve Jobs lançou. É o mínimo, é rigorosamente normal e, ao mesmo tempo, é único. Tudo que está relacionado a Jobs tem essa cara de algo muito óbvio, “como ninguém pensou nisso antes”, mas, é isso, ninguém tinha pensado mesmo.

No livro Adorned in Dreams (Enfeitada de Sonhos, inédito no Brasil, com edição em português pela Edições 70), Elizabeth Wilson diz o seguinte: “Vestir à moda implica uma pessoa destacar-se e, simultaneamente, fundir-se na multidão, reivindicar o exclusivo e seguir o rebanho”.

Poucas pessoas entenderam essa linha que une o exclusivo e a massa como Jobs. E poucos souberam costurar tantas coisas usando essa linha. Ela está em todos esses aparelhos que todo mundo tem, mas que, mesmo assim, fazem que seus donos sintam-se especiais. Está na marca da Apple: é só uma maçã, que está por aí desde Adão e Eva, passando pela Branca de Neve e pelos Beatles. E está na calça jeans – nem skinny nem boca-de-sino, apenas uma calça jeans. Na blusa preta de gola rolê. No tênis de corrida, no óculos de armação redonda e aro fino.

Tudo que qualquer pessoa pode ter. Tudo que ninguém nunca mais vai ter. Muito simples, quase essencial. Absolutamente exclusivo e totalmente de rebanho.

Pasta de amendoim e geleia

Assiste que é lindo.
Vi no Neatorama.

Magrelinha firmeza

E para não ficar parecendo que eu tenho alguma coisa contra magrelas, gambitos e bracitos (eu realmente não tenho), vai aqui a Anne Hathaway fazendo o Lil Wayne. Eu virei fã dela depois que vi esse vídeo (cortesia do Matias). É que eu adoro essas gatinhas que não têm medo de parecer bobas ou doidas.

Um canta, outro rebola

Morri de hiperglicemia.

Tribal e monocromático

Repare no tanto de coisa sobreposta ela veste. É saia, saia, cinto, cinto, sobressaia, colar, colar e colar com mais colar.

Eu adoraria ter ido antes a essa exposição, para poder recomendar a visita. Mas ontem foi o último dia. Então não dá mais pra ir lá ver. A mostra Hereros, com fotos de Sérgio Guerra (todas as que reproduzo aqui) e alguns poucos artefatos desse povo nômade que vive no deserto no sul de Angola, estava em cartaz no Museu Afro Brasil, lá no Ibirapuera.

Repara no enfeite na cabeça, é tipo uma tiara com um laçarote de pele de vaca

A exposição em si era até um pouco confusa (eu ainda estou tentando decidir o que achei do museu inteiro, todo ele meio bagunçado. Tem um lado muito legal que é uma impressão de que você está na casa de alguém louco pelo assunto, passeando por cômodos e quartos e corredores cheios de fotos, desenhos, obras e artefatos. Por outro lado, isso dá uma cansada, especialmente quando você está tentando ouvir um áudio e ele se mistura a outro).

Os textos para explicar quem são os Hereros e porque são assim, além de serem poucos, vinham escritos num tom-sobre-tom desses que os designers ou acham lindo ou fazem de propósito pra depois ficar dando risada do povo balançando o corpo em busca de um ângulo em que se consiga distinguir as letras.

Mas os tais Hereros compensavam a confusão. Os caras vivem lá no deserto angolano com seus bois, atribuídos de muita importância para eles, e seu visual absurdamente sofisticado. O mais chocante são essas mulheres com os cabelos divididos em gomos – muito bem descrito pelo Rafa como penteado do Predador – totalmente cobertas de pigmento vermelho e parcialmente cobertas de adornos e enfeites e roupas, em muitas camadas, tudo vermelho.

Os Hereros se dividem em grupos, com características de estilo bastante diferentes entre si. Características. Porque o estilo sempre está lá.

Olha esse chapéu. Olha essa mulher. É foda.

(Breve parêntese histórico: Em um dos textos da exposição, estava dito que o isolamento desse povo privou seus integrantes dos conflitos que se seguiram à independência de Angola. Eles ficaram lá, e a confusão rolou e eles nem viram. Eu fiquei com a pulga atrás da orelha. Porque quando o assunto é África e grupos étnicos e confrontos pós-independência, em geral dá merda. Os Hereros de Angola parecem ser de fato sortudos. Mas seus primos namibianos não tiveram tanta sorte. E a merda pra eles veio bem antes. Angola e Namíbia fazem fronteira, e os Hereros se espalham por ambas. No início do século 20, em 1904, os alemães que colonizaram a Namíbia promoveram um dos primeiros genocídios do século 20 contra os Hereros, que se rebelaram diante da recém-chegada e auto-intitulada autoridade colonial. Resultado: foram massacrados. Os sobreviventes foram levados a campos de concentração que, pelo que pude sacar do que li, são vistos como a escola que foi dar nos campos de concentração da Alemanha nazista. O governo alemão pediu desculpas oficiais em 2004.)

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O cheiro do cavalo fedido de Napoleão

Historiadores refizeram o perfume que Napoleão usava

Pense em algumas de suas memórias mais poderosas, e é bem provável que elas tenham um cheiro: o perfume do filtro solar na praia, o cheiro fresco da grama recém-cortada, a trilha floral do perfume da sua mãe. “Os cheiros estão muito ligados à lembrança”, diz o perfumista Christophe Laudamiel.

Mas apesar de sua primazia em nossas vidas, o sentido do olfato é frequentemente ignorado quando nós gravamos nossa história. Tentamos nos conectar com o passado visualmente, olhamos para objetos dispostos em um museu, para fotografias em um documentário, para a caligrafia em um manuscrito. Às vezes, podemos ouvir um discurso antigo. Ou tocar um artefato ancestral e imaginar como era usá-lo. Mas o nosso conhecimento do passado é quase completamente desodorizado.

“É notável para mim que a gente viva num mundo em que temos todos os sentidos para explorá-lo e, no entanto, de alguma forma, nós assumimos que o passado fosse desprovido de cheiros”, diz o historiador sensorial Mark Smith.

Historiador sensorial! Qual era o perfume do Napoleão, de flores que já foram extintas, de uma vila viking. Nada como uma boa matéria sobre um assunto curioso. Leia aqui.