Linda. Para os padrões paleolíticos

venus willen

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça

A média é um quilo por mês, mas já tevê mês em que foram três (o saldo até agora, sete meses, sete quilos e meio).

O quadril aumentou; a bunda aumentou; os peitos aumentaram; a barriga, pfff. Quando me olho no espelho não consigo segurar a risada. Penso na Vênus de Willendorf, aquela escultura de pedra que abre os cursos de história da moda como o primeiro exemplo de padrão de beleza da humanidade: fértil.

Estou linda. Para os paleolíticos.

As pernas estão inchadas, os braços estão inchados e, sendo cruel comigo mesma, até minha cara está inchada.

Mas se a gravidez é o milagre da vida, em torno dela orbitam outros tantos milagres, e um deles é o maravilhoso milagre da multiplicação dos elogios.

Nunca, em toda minha vida, nem nos festivais de balé (foram dois, antes de eu trocar balé por karatê), nem nos meses áureos de início de namoro, talvez nem quando eu era uma rosada recém-nascida, eu recebi tantos elogios relativos à minha beleza. Eles são tantos e tão deliciosos de ouvir que eu fico achando que estamos todos no paleolítico e eu sou a própria Willendorf.

Ontem, eu ia descendo a rua, quando cruzei uma mulher com quem trabalhei anos atrás e que eu adoro. Ela me viu, demorou um tiquinho pra me reconhecer, me reconheceu e soltou: “Nossa, como você está linda”. Hoje, quando ouço isso, agradeço de verdade, do coração mesmo.

Porque faz muita diferença no seu dia ouvir que você está linda quando nenhuma roupa sua que não tenha sido comprada em no máximo dois meses, nenhuma, nem uminha, chega perto de fechar.

“Obrigada, mesmo”, eu respondi, para, na sequência, percorrer o trio básico: sete meses-menino-ainda não sei o nome. E emendar com a minha obsessão (31 anos, 13 de jornalismo e eu ainda preciso checar a grafia dessa palavra…) do momento: a dificuldade que é dar um nome para uma pessoa. Foi um encontro maravilhoso, com dois abraços apertados – um de oi e um de tchau – e eu segui rumo aos antiquários da São João.

Percorridas as lojas da calçada do lado de Santa Cecília, apanhei o ônibus para ir ao jornal e lá chegando encontrei a Natália esperando o elevador. E ali mesmo ela fez meu dia. Elogiou, disse que estava falando disso dia desses, de como eu estava bonita, porque tem grávida que fica assim (pose de tadinha), mas que eu tava assim (pose de Vênus de Willendorf) e a minha barra de energia, tipo bateria de celular, foi enchendo até chegar no 100%. Obrigada, mesmo, eu respondi e ainda estou agradecendo (e, Nat, você é linda e charmosa, além de ótima jornalista e maravilhosa vizinha de bancada).

Porque, de verdade, por mais lindo que seja engravidar, por mais poético que seja viver essa (cóf) transformação – como disse a Helô Helvécia, minha xará e diva, “é hora de você crescer mesmo (não é engordar, é crescer!)” – às vezes é difícil. As roupas favoritas não servem, os sapatos favoritos apertam… você adquire a chamada Marcha Anserina, também conhecida como “andar de pata”… andar de pata, velho…

Esses dias ouvi essa:
Nossa, você está ainda mais pinguim!

Fuén. Mas, pelo visto, eu não tenho do que reclamar.

Assim que eu conseguir captar essa belezura toda em um foto (que eu ache boa), posto aqui para satisfazer a curiosidade quanto a tanto esplendor.

 

3.153 caracteres com espaço

Uma resposta para “Linda. Para os padrões paleolíticos

  1. <3

    quero te ver. agora ainda mais linda!

    beijo

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