Onde clica pra compartilhar?

(A Belle respondeu minha carta na nossa troca de correspondências! Ó só:)

De Isabelle Moreira Lima, Chicago
Para Heloisa Lupinacci, São Paulo

Minha saudosa Cuíca, Helozita-amada,

Entendo sua piração no possessivo porque, de fato, é muito bom sentir-se dono das coisas que ama. Das pessoas, dos lugares, etc. e tal. E, convenhamos, mais legal pirar no possessivo do que no imperativo. É mais doce e causa menos espanto alheio. Ainda assim, acho que requer cuidado. Pra ficar só na língua e não virar uma neurose real. (E realmente acho que não é seu caso.)

Confesso que invejei o fato de você já ter conhecido a pequena e gloriosa filha do nosso Otto. De longe, a sensação que eu tenho é que a vida tá passando rápido demais e eu não tô vendo nada, não tô compartilhando as coisas importantes que estão acontecendo aos amigos, boas e ruins. O botão share do Facebook ainda não dá conta disso. Hoje mesmo, quando entrei na internet pela primeira vez, descobri que uma tinha mudado de marido, outra perdeu a mãe (:~), outra pediu demissão para ser empreendedora. Foi rápido, ninguém teve tempo de me contar (e por que parariam tudo pra me contar?), mas eu vi que aconteceu. E aqui, às vezes parece que o tempo tá meio parado, só o vento se mexe.

Quer dizer, pensando bem não parece não. São seis meses desde que parti e eu acho que (ufa, finalmente) me adaptei. Eu tenho uma vida aqui. Só não tenho tanta excitação e tantos amigos pra compartilhar as minhas coisas e com quem compartilhar as coisas deles, mas tenho alguma coisa. O Chico falou em versão desidratada, mas eu acho que é mais minimalista. Notei que até o nas roupas a coisa minguou – trouxe 40, uso seis. E isso pode não ser ruim. A galera consciente fica falando em viver com menos, né? Acho que tô levando isso a sério, inconscientemente. E não é ruim, parece que a gente começa a valorizar mais tudo. E no final, a gente também se adapta a tudo, né?

Sobre o conservadorismo, eu acho que gosto quando é do bem, mas tenho medo das ideias extremas, da direita à esquerda. Eu gosto do F da família, mas TFP é sim FDP, mesmo achando que às vezes tradição pode ser ok e até desejando algo do gênero, como o lance de ser noiva e tal.

E gosto também quanto tem mudança boa. Se a moda pega e as gordinhas gostosas voltarem com tudo, eu vou adorar. Eu quero muito que mude o padrão de beleza. Eu também queria, pra variar, que o mundo ficasse um pouco em paz. Parece meio hippie, né? Mas, como o Clint falou, isso já foi um ideal até dos republicanos… Hoje a coisa é bem diferente e eu temo pelo Irã e Israel. O mundo tá estranho e dá um medinho daqueles.

Mas pensando bem, o mundo sempre foi estranho. Isso é um fato que consta da ala conservadora, não muda.

O que será que muda, e o que não vai mudar? O que a gente quer que mude e o que não mude? Me conta a SUA vontade, continuando na onda possessiva, que eu vou pensar na MINHA.

Saudades, amor,

Belle

Uma resposta para “Onde clica pra compartilhar?

  1. A-D-O-R-E-I a resposta da Belle (tomando emprestada a intimidade que a própria autora se dá!). Como imaginava, pelos textos que Bellamente escreve (e perdão ao trocadilho infame, minha verve literária é nula), a resposta não seria muito diferente.
    Obrigada, meninas! Vida longa à correspondência de vcs! Quem ganha são os leitores, com certeza!

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