Do panetone ao panforte, sempre com a Tanya

Eu ia postar a foto que eu tirei do panforte, mas daí lembrei que a Tanya é especialista nisso, então tunguei a foto do blog dela. O crédito é: Augusto Bartolomei - Estudio Bê

Eu não como frutas cristalizadas. Na verdade, eu odeio muito frutas cristalizadas. Por isso mesmo eu não como panetone. Quando vai chegando o Natal e os panetones começam a ser abertos eu pareço tubarão: farejo a essência maldita a quilômetros de distância, mas viro o nariz pro outro lado. Só de pensar naqueles pedaços de sei-lá-o-quê cristalizado misturados à massa, me dá engulhos.

Mas uma vez eu comi panetone e amei. Foi em Lugano, na Suíça. E o panetone de lá, dizem, é tal das quantas.

Eu não cheguei a fazer as pazes para sempre com o panetone. Mas ali eu entendi que as frutas cristalizadas não têm culpa de terem sido transformadas nos cubos de massa acrílica que aparecem no nosso bolo natalino. Mas por que mesmo eu lembrei disso? Ah, sim, porque quando eu comi o único panetone bom da minha vida eu estava na companhia da Tanya.

Do alto dos meus 23 anos à época, eu lembro bem de ouvir a Tanya falar sobre a vida e as coisas (comida, cinema, fotografia, as pessoas que ela conhecia, as pessoas de que ela gostava) e ficar pensando: vai, Helô, come arroz com feijão, come muito arroz com feijão, come bastante arroz com feijão.

Essa viagem, aliás, vou dizer… além da Tanya tinha o Braulio, que falava de ópera, moda e comida e ia de um pro outro e do outro pro um, e o Arnaldo, que ia do cinema pra comida e pro jornalismo e voltava.

Bom, foi tudo incrível, mas o ponto é: eu entendi, comendo aquele panetone em Lugano, que as frutas também podiam ser boas não-frescas. Podiam manter a dignidade em outras formas: geléias, compotas, confits e afits.

Voltemos para a Tanya. Esses dias ela me presenteou com um panforte, que ela faz (e que você não precisa ser amigo dela para comer, porque ele está à venda no também delicioso blog dela). E o que o panforte tem a ver com isso tudo? Bom, ele leva essa ideia da fruta não-fresca à altura das nuvens. Das nuvens e das estrelas.

O panforte, aprendi no blog dela, é um doce italiano, de Siena. Tem frutas, castanhas, mel e temperos, tudo isso lindamente organizado em cima de uma hóstia. É como disse a Neide Rigo no seu blog-bíblia:

Tudo isto está bem acima de uma providencial folha de hóstia, que não deixa dúvida que este é um doce pra se comer de joelhos

Eu abri o meu um dia de manhã. Passei um cafezinho e convidei o Rafa pra provar comigo. Ele foi parar no Marrocos. Eu fui pra Suíça e voltei rapidinho, a tempo de pegar uma carona para o Marrocos com ele. A gente passeou sentindo o cheiro do deserto e a brisa do Mediterrâneo e depois, bom, depois cada um foi pro seu canto trabalhar. Deu uns dias e vieram uns amigos em casa e eu compartilhei com eles o pedaço que tinha sobrado. Todo mundo foi pro mundo do silêncio e quando a fala voltou foi um tal de meu-deus-do-céu-Helô-oqueéisso que só vendo.

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3 Respostas para “Do panetone ao panforte, sempre com a Tanya

  1. Helô, Helô minha querida lindinha ,
    Conhecer você naquela viagem é que foi delicioso! Não te largo mais desde então, sempre aprendo com você ! Merci. Merci. Bj

  2. Helô, minha relação com o panetone é igual à sua. Aquilo parece um pão velho que caiu num frasco de perfume ruim. Mas esse panforte aí tem seu charme, hein.

  3. Bom saber que alguém faz panforte aqui no Brasil. Um tempo que fiquei na europa eu era capaz de comer um desse inteiro por semana.

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