Lá vem a noiva, deixa vir a noiva

E não é que, no fim das contas, o príncipe Harry ficou mais bonito que o William?

Eu bem que tentei, mas não deu para passar batido pelo casamento real, a nova princesa e todas essas coisas. Eu vou aproveitar o gancho para dar minha controversa opinião sobre casamento. Gancho, para quem não sabe, é o nome que nós, jornalistas, damos para o truque de pegar um assunto momentoso (o casamento real) para fazer um trololó sem fim (veja a seguir).

Eu tentei ignorar a gênese da princesa Kate. Mas hoje, no meu maravilhoso plantão, assisti a um compacto da cerimônia. E foram tantas reflexões a partir do breve resumo em vídeo que a única coisa que eu posso afirmar categoricamente é: sorte a nossa que eu não vi a cerimônia inteira, se não esse blog ia ficar falando do casório por dias a fio.

Dito isso, vamos ao casamento. Não o compromisso, a relação, a vida a dois, nada disso. Mas a cerimônia, a festa, a hora do sim.

É que em algum momento, sei lá eu como foi que isso aconteceu, alguma mulher, ou algum casal, ou sei-lá-eu-o-quê, mas certamente alguém muito mal humorado, resolveu espalhar por aí que casamento é bobagem, que é uma instituição falida e que a coisa mais jeca do mundo é fazer festa de casamento, com bolo, tim-tim e vestido branco.

Resultado: uma geração inteira de mulheres foi privada do direito de querer casar vestida de princesa, com dia de noiva, aceita?, sim!, é de livre e espontânea vontade?, sim!, então pode beijar a noiva, chuác. Nanananina. Nada disso. Não pode, a gente é moderna, independente. Isso aí é pra mulherzinha besta.

O ritual do casamento para essas pobres infelizes (entre as quais eu me incluo) é super emocionante. Veja só, é assim: encaixota tudo, chama o carreto, desce as caixas, vruum, sobe as caixas, desempacota, arruma, arruma e arruma. Fazer mudança é chato, né? Pois é. A gente casa assim. E parece que isso aí, essa absoluta ausência de festa e de graça, garante uma relação mais verdadeira, um casamento mais autêntico. Ah, tenha dó!

Então (repare, esse é o truque do gancho) aproveitando o casamento de Kate e William, eu venho aqui, diante de todos, defender abertamente que toda mulher (até as modernas!) tem o direito de sonhar com um casamento completo, com cerimônia, festa, madrinhas e bufê. Atenção, você, mulher independente, que trabalha muito e ganha bem, que lê muitos livros e assiste a muitos filmes, que ouve rock e vai para a balada com as amigas: querer casar não vai transformar você em uma dona de casa. Pode ficar tranquila. Seu marido não vai virar um autoritário machista só porque alguém disse: pode beijar a noiva.

Aliás, se você for feminista pra valer, pode pedir pra quem for celebrar a sua cerimônia que diga: pode beijar o noivo. Acho que isso resolve a crise do machismo, não? (Se pode isso? É você que manda no seu casamento, ué. E se você quiser que o cara diga pode beijar o noivo, manda ele dizer.)

Ser noiva, ou, traduzindo em miúdos, ser o centro das atenções, é seu direito. Mesmo que você se vista de branco, que, convenhamos, não favorece ninguém. Mesmo que signifique carregar para a igreja seus amigos ateus. Mesmo sabendo que alguma amiga sua vai ser motivo de piadas porque vai errar o look. Sim, você pode (inclusive tirar sarro da amiga mal vestida)!

Noiva é chata? Às vezes sim. Por isso não vale ser malandra e querer fazer a noiva por um ano. Tem muita mulher por aí usando esse truque.

– Eu vou casar!
– Jura! Que lindo! Quando?
– Em SETEMBRO DE 2012.

Querer usufruir do status de noiva por mais de três meses é a igual a querer ficar grávida por dois anos só pra furar fila. Não cola, esquece, ninguém vai dar bola pra conversa sobre o cardápio da festa por mais de três meses. Porque a gente adora conversar sobre o cardápio da festa com as amigas que vão casar. Mas é porque elas são nossas amigas e não porque a gente realmente goste de conversar sobre isso.

A Belle, a minha Kate, porque pra mim ela é a noiva do ano e a princesa mais linda, foi que trouxe esse tema para o rol de coisas sobre as quais eu penso. A Belle, para quem não conhece, é um mulherão. Gata, brilhante e com um humor desses que só acontecem a cada 100 bilhões de anos. Ela encarnou a bridezilla no início deste ano. E entre escolher o convite, definir o cardápio e provar o vestido, eu acompanhei feliz da vida os dramas da noiva do ano. E sempre ouvia dela, ainda que nas entrelinhas, o pedido: me deixa ser noiva com N maiúsculo? Posso pirar? Quero ser princesa!

Vai lá, gata, arrasa! Você pode! E você também pode!

Pois bem, e foi a Belle que me ensinou o segredo do casamento feliz. Para tudo dar certo, a noiva precisa usar something old, something new, something borrowed, something blue (algo novo, algo velho, algo emprestado e algo azul). E com isso, a-há, voltamos ao casamento real. No caso de Kate, o something old era a renda do vestido feito pela Sarah Burton, da Alexander McQueen. É uma renda tradicional irlandesa, chama Carrickmacross, foi feita à mão pela Royal School of Needlework (achei meio trapaceado isso aí, porque pra mim something old é uma coisa usada mesmo, mas vá lá). O something new eram os brincos, presente dos pais dela. Blue era um lacinho costurado por dentro do vestido, para não melar a rima nem o look.

A não ser que você tenha dinheiro para comprar uma joia Cartier vintage, não tenta copiar não. Não vai ficar igual

Mas o que realmente importa neste caso é o something borrowed. Se você pira em caixa de jóias de vó (eu piro e a Belle eu sei que pira, também. Ela até conseguiu um anel da caixa da vó), imagina quando a vó do seu marido é a rainha da Inglaterra. A Kate entrou linda na abadia usando uma coroa de diamantes da Cartier, de 1936, vinda direto da caixinha de jóias da vó Bete. Pas mal.

Até que hoje, nessa pálida manhã de sábado de plantão, a TV aqui ligada, eu vi uma matéria com a repercussão do casamento em uma feira de noivas em SP. E lá estavam as tentativas de cópia da tal coroa, fazendo o maior sucesson entre as novas noivas por causa da Kate.

Ai, tristezinha, elas não entenderam direito! Não é pra copiar a coroa! É muito mais legal copiar a ideia da coisa. Em vez de ir na feira de noivas procurar uma coroa que pode ser que seja parecida com aquela da princesa, copia a atitude e vai procurar alguma coisa bonita na caixa de jóias da vó.

A sua vovózinha era pobre-pobre de marré derci e não tem nenhuma joia, nenhuminha da silva? Eu duvido, mas, tá, vasculha o armário da velha que alguma coisa legal sempre aparece. Sempre tem alguma coisa bonita no armário, na penteadeira, no criado-mudo da vó. As minhas sempre me surpreenderam (elas são duas lindas, mas nunca chegaram a ser princesas, embora uma tenha sido miss primavera ou algo assim).

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13 Respostas para “Lá vem a noiva, deixa vir a noiva

  1. ain, helô, que lindo
    <3
    desmoronei e fiquei com culpa de ter chamado a kate de careta.
    acho que eu também quero ser uma noiva moderna. será que ainda dá tempo? vale ser noiva depois dos 30?

  2. eu super quero casar! perder a chance de fazer um vestido incrível e uma festinha só com pessoas queridas não faz o menor sentido!

    e o “something old” da kate foi o maior truque… se bem que a tiara era emprestada e ANTIGA (jóias não são velhas! são antigas! hahaha).. vale?

  3. helo, casa comigo??

  4. Magda Cristina

    Eu vou adorar ver você de noiva moderna!!!!

  5. poxa, também fui noiva do ano! de 2008 ainda conta? ou não conta porque a sandy casou no mesmo ano?

  6. Poutz, Helo… Noiva quase nos “enta”vale também???
    Será que dá tempo? hehehe
    Quem sabe um dia… quem sabe!

  7. Amanda Pessoa

    Leio sempre seu blog e me identifico muito com ele.
    Mas dessa vez, vc foi além. Não vou dizer que chorei, porque as lágrimas não caíram (continuam presas nos meus olhos, mas estão aqui).
    AMEI.
    E confesso uma coisa: já fui casada do jeito das pobres infelizes (o que, na minha cabeça, iria me garantir a felicidade que eu esperava), mas as coisas não aconteceram como esperado e cá estou sozinha.
    Agora eu quero o pacote completo. E com “pode beijar a noivA”.

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