Primeira rodada

Para entender que papo de rodadas é esse, leia aqui.

Um riesling alsaciano, Giorgio Morandi

Na primeira rodada eu cheguei chegando. O Horta aprovou: “Putz! Foi na mira perfeita”. Eu nem sei bem explicar a minha escolha. Ela veio direto do coração.

Mas daí eu fui com muita sede ao decanter e, sem nem dar a vez pra ele, mandei outra.

Sauternes, Pieter Bruegel, o Velho.

Tsc-tsc. A pressa é inimiga de tudo, mesmo. O meu raciocínio foi o seguinte: em um sauternes acontece tanta coisa quanto num quadro do Bruegel. O Horta comentou:

“É possível, mas eu ficaria mais entre Georges de la Tour e um pôr-do-Sol de Turner para os sauternes. O Bruegel eu atacaria de uma sidra (cidra? Muniiiiiz!?) da Normandia, com aquele frio subindo pelas pernas, a umidade e esta melancolia de crianças sérias. Ou um Armagnac.”

Então foi a vez dele.

Dan Flavin e um Chardonnay bem mineral e sem madeira.

A jogada dele me surpreendeu. “Uia, gostei. Eu achava que você fosse um tipo barroco, à moda antiga, no máximo século 19. Eu tava evitando o século 20 pra frente! Agora liberou.”

880 caracteres com espaço

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