Sobre pais e filhas

Há alguns anos eu vi o filme Secretária (2002). E eu não entendi lá muita coisa até ver o extra do DVD, em que o diretor (Steven Shainberg) explica que queria fazer um filme sobre a possibilidade de um amor sadomasoquista, da mesma forma como já haviam sido feitos inúmeros filmes sobre o amor gay.

Mas no que diz respeito a relações amorosas, para mim o melhor do filme é o amor entre pai e filha. Está lá, em algum momento do longa, a cena mais bonita que eu já vi sobre esse tema no cinema.

Vou explicar o contexto (para assistir à cena, clique aqui. A incorporção foi desativada por solicitação blablabla. De qualquer forma, o trecho específico que eu cito é o 0:34 até o fim).

A mulher é secretária do cara e os dois se apaixonam e são sadomasoquistas. Lá pelas tantas, eu não lembro o motivo, o cara exige da mulher que ela fique sentada com as mãos sobre a mesa, como uma prova de amor, um carinho, algo assim. E assim ela fica, por dias e dias. E vem um monte de gente falar com ela. E um monte de gente fala um monte de bobagem (julgamentos, opiniões, achados, perdidos). Até que vem o pai dela. E ele lê um trecho de livro, que diz:

‘You are the child of God’s
hoIy gift of life.
You come from me,
but you are not me.
Your soul and your body
are your own,…
and yours to do with
as you wish.’

(numa tradução bem porca:
Você é filha de Deus
Um dom sagrado da vida
Você vem de mim,
mas você não é eu
Sua alma e seu corpo
são só seus…
E seus para você fazer com eles
o que você quiser)

E ela responde: Obrigada, pai.

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