Enrolando a língua

Mais uma notícia dessas que fazem tudo parecer uma grande ficção:

“Em janeiro deste ano, após uma grave crise de enxaqueca, a britânica Kay Russell acordou falando com sotaque francês.”

Achei chique. Eu sofro de enxaqueca e sei o tamanho do drama. Mas, mesmo sabendo, nos miolos, que é ruim pra burro, eu acho meio glamouroso dizer: estou com enxaqueca, vou me retirar, adeus. (Esse adeus é sempre dramático, porque que tem enxaqueca sempre acha que vai morrer de dor, ou pelo menos comigo é assim). Pois bem, depois de uma glamourosa enxaqueca, a mulher acordou com um glamouroso sotaque francês.

Bom, vamos continuar com a notícia: “Ela sofre de uma desordem neurológica extremamente rara, a Síndrome do Sotaque Estrangeiro. No mundo todo, há apenas 60 casos conhecidos de vítimas da síndrome”.

Daí vem a parte que estraga um pouco tudo: “A condição é um problema na fala, interpretado pelos ouvintes como um sotaque estrangeiro”.

Discordo! Acho que ela acordou meio frenchy e ponto. Isso não há fonoaudiólogo que resolva.

A mulher acometida pela grave síndrome foi inclusive bem francesa ao descrevê-la: “Acho que vou colocar um anúncio na seção de achados e perdidos. Talvez alguém possa me encontrar.”

Desse papo de idiomas perdidos e achados dentro da cabeça, a minha mãe contava uma história genial, que, segundo ela, aconteceu em Campinas, com uma mulher conhecida.

A tal fulana era uma senhora dessas bem chiques, de antigamente, que fez liceu e tudo o mais. Por ter essa formação, falava português, francês e latim. Pois a tal senhora das baixelas sofreu um acidente do carro e teve sérios danos cerebrais. Quando acordou, só sabia falar latim. Esqueceu justo os dois únicos úteis. E sobrou lá com a língua morta. Por isso, quando decidir estudar um idioma por puro diletantismo, tipo latim ou grego antigo, pense duas vezes.

PS: As informações sobre a inglesa-frenchy são da BBC e as lindas imagens deste post vieram do livro The Practical Guide to Health , em domínio público.

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Uma resposta para “Enrolando a língua

  1. Ufa, ainda bem que eu não levei as aulas de árabe tão a sério.
    Você viu uma matéria da FSP dizendo que enxaqueca é o segundo motivo de infelicidade? Cruzes. Essas pesquisas é que são motivo de infelicidade…

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