Quero ser patricinha

Já comigo é o contrário. Volta e meia concluo que preciso ficar mais arrumada. Daí toca pro shopping, atrás de saia, salto, sandália. E sempre volto com mais uma camisa xadrez e outro par de tênis. Quero comprar uma bolsa, mas compro mochila. Quero um casaquinho, volto pra casa com outra jaqueta de zíper.

E quando eu acho que preciso aprender a me maquiar? Sempre igual. A amiga diz: passa corretivo, base e pó. Passo tudo. E daí as sardas somem e o demaquilante entra em ação. Minha cara já é pintada. Não dá para apagar sarda.

O mesmo acontece com brincos. Tento usá-los nas orelhas, mas já tenho um no nariz. Daí os três me parecem muito e o do nariz ganha. E os de orelha voltam às gavetas.

O drama do batom veio antes ainda. Toda vez que a gente ia sair de casa, lá vinha meu pai ou minha mãe: “mas não vai passar um batonzinho?”. Não. Detesto batom. E, se passo, acho que virei só boca, que todo o resto sumiu, olho, nariz, queixo, orelha, cabelo.

A próxima pergunta era sempre: “não vai dar uma penteada no cabelo?” Essa me irritava demais. Eu sempre tive um modo próprio de me arrumar. Eles chamavam isso de desleixo; eu, de estilo.

E tem funcionado. Até faculdade de moda eu fiz. Mas, hoje em dia, eu queria ser mais patricinha. Em parte porque, quando vê alguma delas, o Dani faz sempre o mesmo comentário:

Elas são tão bem cuidadas.

É verdade. Mas eu também vou à manicure regularmente, tenho meu cabeleireiro talentoso a que vou a cada 3 meses, passo creme francês e até tenho uma chapinha. Mas nada disso me faz mais patricinha. Estarei sempre mais próxima do mano do que do boy.

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22 Respostas para “Quero ser patricinha

  1. já vi que o desafio usar salto pra trabalhar já era!!

  2. você tem sardas! coisa mais linda isso…
    bom helô, você tocou agora no meu calcanhar de aquiles, por isso senti vontade de escrever aqui, rs. a partir dos 13 anos minha vida foi assim: grunge – metaleira – rock alternativo. paralelo a isso eu tocava cello. Acho que isso tem a ver com a minha falta de feminilidade (juntando ao fato de não ter minha mãe me orientando nas coisas, dando o exemplo de como ser “mulherzinha”). quando eu era metaleira queria tocar guitarra, ouvir música e ir a show. não queria pintar unha nem massagear cabelo (aliás, como sofri com a juba… muito cabelo, cabelo seco, a solução era prender…). aprendi que hidratante não é pra enfeitar a mesa de cabeceira. é pra passar no corpo. maquiagem, que só colocava em dia de concerto, tô tentando colocar no dia a dia, de leve (mas sempre lembro da minha mãe dizendo preu não colocar muita “porcaria” na pele, hahaha). quando meu marido me conheceu e começamos a namorar ele me chamava de Mogli, me deu até uma camiseta com a estampa do filme. marido fofo o meu, rs. eu era totalmente bicho do mato mesmo, criada por lobos, sem contato com a civilização, rs. mas sei lá porque os 30 viraram minha cabeça e veio lá de dentro uma vontade de me cuidar, mas nada exagerado! ter prazer em fazer as unhas, em escovar cabelo, em comprar sapatos (eu também sou total adepta dos tênis, maldita adidas!). aliás somente ontem fui comprar uma escova de cabelo pra mim. entrei da loja (o nome: bel center. daquelas que vendem tudo pra valorizar sua feminilidade, dos pés à cabeça) e fiquei olhando praquela imensidão de escovas, de todos os formatos e cores. até que tomei coragem e perguntei pra uma atendente qual seria a melhor opção pra mim. a resposta da atendente foi meio decepcionante, ela me disse que não importava se era oval ou quadrada, era apenas uma questão de preferência. humm, ok. comprei a que eu achei mais bonitinha e não tão grande, pra que eventualmente pudesse levar em viagem. acredite, até hoje, eu só usava pente de madeira pra pentear meu cabelo! porque minha mãe desde que sou criança diz que é mais saudável pros cabelos o uso do pente de madeira. e eu fiquei até ontem sem botar uma escova no cabelo por causa disso. ah! descobri os esmaltes há menos de um mês. sempre tive a unha bem curta e os dedos bem calejados por causa da minha profissão (violoncelista) mas sempre tive aquele desejo secreto de ter unhas bem feitas. até que descobri um blog de esmalte (posteriormente descobri que são milhares) e fiquei naquela, porque não tentar fazer a unha em casa… já faço a depilação mesmo (ambiente de salão de beleza me oprime, nunca gostei. assim como academia)… não sei se foi o cheiro ou o que, mas sei que viciei e hoje, menos de um mês depois, tenho um pote daqueles de sorvete cheio de esmaltes das mais variadas cores. ao contrário do que eu previa (que não levava jeito pra coisa) estou melhorando na técnica manicurística e minhas unhas que eram uma lástima estão bem bonitinhas (curtas porém simpáticas) e as cutículas não estão mais despedaçando loucamente, rs. Só espero que não seja só uma fase e que consiga ter alguns poucos (e prazerosos) cuidados de beleza o resto da vida… beijos procê

  3. Fico meio corcunda uso salto – total emocional. Dá pra entender o boicote ao mulherão que todas nós carregamos lá dentro? Passa a palavra pro terapeuta, vai? Vai que ele tem mais uma teoria ótima como a do Siri mole.

  4. hahaha. que coisa, helô. hoje minha mãe me presenteou com meu primeiro salto alto depois de grande (antes eu tinha um só pra ir nos 15 anos das amiga, pra usar até a metade da festa e ficar descalça pisando em vidro depois). aí hoje ela me dá uma sandália alta de dança de salão, linda e confortável, me senti obrigada a usar. cheguei há pouco no trabalho e, QUE SACO, a recepcionista mala do jornal já vem com “huuuum, tá de saaallto…”.
    como a gente pode tentar patricinhar-se com esse bloqueio da sociedade que REPARA? ahhaha
    — fato é que tô até curtindo ficar mais altinha…
    adoro teu blog diariamente. beijo :)

    • Essa gente que repara e comenta deveria ser punida.
      Comigo acontece a mesma coisa quando eu resolvo pentear o cabelo.
      Fica todo mundo perguntando se eu vou a uma festa. Um saco porque aí trava.

  5. Helô, tenho dúvidas se vc daria uma boa patricinha.

  6. PW (recém-chegado de Buenos Aires)

    Os layouts patricinha e descolada não são incompatíveis. As portenhas, tão modernas e bem cuidadas, estão aí para provar isso.

  7. Hoje usei salto pela primeira vez para ir pro trabalho. ;-) Foi tudo bem ok, até pegar ônibus e tals. Presente do marido, scarpin preto lindíssimo e confortável. (Ele também gosta da vaidade patricinha… ) Não morri e gostei. Mas não abandono de jeito nenhum as “roupas de mano”. Porque é legal usar um salto bacana de vez em quando. Mas todo dia fica normal, sem graça.

  8. Eu nunca usava nada que me fizesse chamar atenção. Aí comecei a usar brinco grande. E fui fazer terapia. E dei de usar salto (mas é Melissa, então não sei se conta muito). Mas, no fim, quando eu sento com as patricinhas me dá uma angústia, porque eu não me conformo com o preço da maquiagem da MAC.
    Quem não nasceu pra patricinha nunca vai usar maquiagem pra ir à padaria. É fato.

  9. Eeee o capitão haddock voltou!

  10. Arrumação is overrated. Let people be.

  11. Heloisa,
    Recebi esse post hoje e não tive como não comentar. Assim como comentaram, também tive uma criação de bicho do mato, curtindo estilos musicais e amizades opostas a qualquer feminilidade, sem imaginar o mundo de pequenos cuidados que existia a meu favor. Minha mãe, tadinha, vivia numa vida meio hipponga que nós nunca penetramos e assim crescemos sem primas, tias ou qualquer figura feminina forte entre nós.
    Eu com meus traços grossos, cabelos cacheados, com as vestimentas mais surradas que se pode imaginar era uma coisa difícil de entender e lidar. Já minha irmã teve mais sorte com seus rosto angelical e cabelos lisos, que realmente ressecavam e não deixavam outra opção que não fosse lavar todos os dias. Era uma relação de uma ver a outra num sentimento confortável de conviver com os problemas que nós não imaginávamos como resolver.
    Já casada, ainda me cuidando muito pouco, surgiu a descoberta da infinidade de cuidados, cremes, revistas especializadas e o mundo paralelo que nunca enxerguei. Aí já viu! Caí de boca e foi aquela coisa de errar o tipo de shampoo, creme, cor de maquiagem, querer comprar produtos caros numa tentativa frustrada que as coisas dessem menos errado, fora o rombo no cartão que me tornou a consumista que nunca imaginei ser e tantas brigas quando a fatura chegava. Hoje, um pouco depois dos 30, já tendo feito o tal retorno de saturno, divorciada, tomei a decisão de fazer mestrado fora (sonho guardado) e pensar na minha vida profissional que ficou muito de lado. Eis que desistindo desse terror que me acompanhava, meus questionamentos sobre querer “me arrumar mais” alcançou seu equilíbrio quando vi o modo de cuidado das européias, o custo dos produtos, o conhecimento mais acessível ao que devemos ou não usar e a paciência para entender sua própria natureza. Ufa! Foi uma caminhada difcíl, mas vamos lidando com erros e acertos.

  12. Pingback: Um ano característico | Caracteres com espaco

  13. éééé! minha mae tem essa historia de “menina, passa um batonzinho nessa boca”. assim mesmo, no diminutivo. que coceira danada por causa de um batom, eu hein…

  14. gente para ser patricinha é só falar com migo que eu entenndo todo isso e eu sou a gaorta mais popular da minha sala quem quizer dicas é só falar

  15. eu so muito patyy to querendo tirar isso de mim mais ja tah no sangue!!!
    quer ser uma patyy perfect falem comigo minha secretaria vai atender vcs todos e pufavor sigam meu blog e vam ser payy´´s tamb!!

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