Analise o analista – Paul Weston, o super herói

Desde a primeira semana da primeira temporada de In Treatment, é claro que Paul Weston é o melhor psicanalista do pedaço (no caso, de Baltimore). Ele é tão bom que pode até parecer caricato: vasta cultura, olhar penetrante, insights desconcertantes, está tudo ali, aos montes.

Mas esses são traços comuns a todos os bons psicanalistas (talvez não o olhar penetrante, mas a vasta cultura e os insights sem dúvida). E os bons psicanalistas não são todos protagonistas de seriados.

O que torna Weston especial com psicanalista de ficção – e que o diferencia de todos os psicanalistas de seriado até agora – é que ele não tem reservas com os pacientes. Ele se deixa envolver, ele quer salvar aquelas pessoas. É uma espécie de super herói hiperrealista. Como se o super homem abrisse mão da super força e passasse a agir por meio da super conversa. É como se In Treatment fosse uma espécie de Heroes de um homem só, sem aquela papagaiada de nego sair voando ou pegando fogo ou viajando no tempo.

É como se todos os problemas do mundo pudessem ser resolvidos dentro daquele consultório, como se ali fosse a Sala da Justiça. E a partir do momento em que todas as pessoas pudessem ser atendidas por Weston o mundo estaria livre de injustiças, erros, falcatruas, mágoas, etc.

Mas isso não é tudo. Porque de super heróis convencionais o cinema e a TV estão cheios.

O que torna Weston especial como personagem é que ele é todo zoado, cheio de problemas. Ele se apaixona por paciente, é chifrado pela mulher, é processado por negligência, dá porrada num paciente. Enfim, é mais do que um super herói contemporâneo, é um super herói desses cheios de defeitos. Sem falar, é claro, no lance do olho verde e das covas nada rasas e do sotaque de irlandês.

Mas voltando à primeira questão, que é o que importa aqui no Analise o analista, Weston adota os pacientes de que gosta (na primeira temporada, ele só não dá muita bola ao casal da quinta-feira, que é chato demais; na segunda, todo mundo é abraçado).

Ele se envolve. E vai que vai. No caso da menina toda alquebrada, ele compra balões coloridos para ela. No caso da menina com câncer, ele a acompanha à quimioterapia. No caso do paciente hospitalizado, lá vai ele ter com o cara no hospital. No caso do menino confuso, ele quase parte para a adoção de fato.

A Gina, a supervisora do Weston (depois voltaremos a ela), insiste que ele não está ali para salvar vidas, que não pode tentar transformar as narrativas que acontecem ao redor dele. Ela tenta fazer a criptonita, mas ele não está nem aí. E continua interferindo.

Ele é a versão não-blasé do psicanalista. E como o blasé está em franca decadência, o mundo estava esperando por um herói um psicanalista como Weston.

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PS: Brisando, o Paul Weston é meio o oposto do House. Os dois são heróis, mas o House não suporta os pacientes. Se fossem X-Men, eles seriam meio inimigos do mesmo lado, tipo o Wolverine e o Ciclope, ou eles seriam parceiros? E se o House virasse paciente do Weston… Alô, HBO e Fox

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