Movimento pelo livre peidar

Peidorrentos e flatulentas, a adesão à campanha pelo livre peidar tem sido grande. E com nomes de peso.

Tiago Mesquita, crítico de arte, tão logo leu o post já relembrou a infância. “Circulava entre os moleques uma lista com a tipologia dos peidos. A cada tipo, um adjetivo. Era o peido egoísta, o peido envergonhado, e assim ia.” Fernanda Pappalardo, estilista, lembrou de um bom: “peido ninja: silencioso e mortal”.

Pelo Twitter, chegou Salvador Dali, via Marcelo Pliger, designer e figura. O surrealista bigodudo defende o livre peidar em um capítulo do “O Diário de um Gênio”. Não chequei. Se alguém tiver a obra e puder compartilhar, seria flatulento!

A elegância do gesto do farteur profissional

Alexandre Matias relembra Le Pétomane, flatulista profissional que tinha tanto controle de seus músculos abdominais que tocava a Marselhesa emitindo gases controlados amplificados por meio de uma ocarina.

A lembrança do farteur traz à baila uma arte perdida e um lindo termo: farteur. Alô, francófonos, qual seria o feminino de farteur? Eu gosto de farteuse, porque tem uma ideia de fartura, mas desconfio de seja fartrice.

Digressão linguística à parte, Matias segue:

    “Enfim, é toda uma cultura que não tem mais espaço nos cadernos da área porque não dá pra comprar na megastore nem tem patrocínio estatal…”

*

Já Paulo Werneck, erudito editor, ALUDE a uma série de referências. Abre aspas.

    “O próprio Montaigne, em pleno século XVI, dissertou sobre o peido. Dizia que, dos três ventos que produzimos, apenas o espirro era tido como sinal de inteligência, por vir diretamente da cabeça. Era sinal de espíritos superiores. Lendo seu post, agradeci à era rudimentar em que estamos — graças a Deus a internet ainda não tem cheiro. Outro poeta, o Sebastunes Nião, escreveu: ‘Prefiro peidos, meu amor, a suportar sua babaquice cósmica’. Um peido de Glauber já foi objeto de polêmica e elevado a expressão máxima da rebeldia da cultura nacional, pois foi solto diante de um produtor de Hollywood. Como diria Vinicius, peidemos em comum numa comunhão de enxofre.”

Foi tanta inspiração que eu me empolguei e peidei um hai-kaizinho:

    A arte peidada
    é uma arte perdida
    CUltura sem forma nem espaço

E as adesões não param: A diva santista e artista Santarosa trombeteou seu apoio e ainda conseguiu amealhar o reforço de Felipe Barba; e Vinícius SeteSete, biriguense bocamole, assinou embaixo.
E, claro, não podemos deixar de lado o importante suporte dos pequenos Alice e Manuel, que têm a sorte de, por serem crianças, ainda soltarem pum.

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9 Respostas para “Movimento pelo livre peidar

  1. então a redação do link será uma área a favor do livre-peidar?

  2. Gostaria também de aludir ao romance de Serge Gainsbourg, Evgénie Sokolov, o peidorreiro que se transformou numa estrel da arte contemporânea com seus gasogramas.

  3. “Vou atrás” não me parece uma expressão adequada neste caso. Vá na frente, Helô.

  4. Citei o Sokolov no post anterior :P

  5. E tem aquele filme “A Comilança” em que o Marcello Mastroiani não conseguia peidar e quando consegue fica um minuto e meio ventilando o ambiente.

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