Em defesa do shuffle

Isso é um Dynamic Random-Access Memory Chip. Não sei para que ele serve, mas o nome é bom: mecanismo dinâmico de acesso randômico à memória. Esse diagrama, de Sam Lucente está no MoMA

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Meu iPod é Shuffle, não me deixa escolher o que ouvir.
Todos os meus toca-MP3, até hoje, foram iPods Shuffle. Já tem 3 anos que eu ouço música de forma randômica. Diante de um iPod regular sofro de grave bloqueio. Não passo da escolha entre “artists”, “albums”, etc.

O shuffle dá esse conforto. Entre todas as decisões a tomar, ele me livrou dessa. As músicas que ouço são decididas por ele. Um problema a menos. E daí eu resolvi resolver um outro problema de escolhas.

A partir do momento em que não dá para escolher as músicas que ouve, não é preciso conhecê-las também. Pra que saber o nome da música que está no album xis do artista tal se ela vai tocar na hora em que o shuffle decidir que é adequado?

Daí que meu iPod não é nem alimentado por mim. Ele sofre tranfusões de músicas vindas dos computadores e pendrives gravados por pessoas generosas que gostam de impor seu gosto musical a terceiros (segundos, nesse caso). Mais um problema resolvido. O que baixar? Não sofro disso. A aflição da janela de busca em branco, essa já era.

Esse laissez-écouter, porém, gera outro problema. Se não conheço a música, escuto, gosto e continuo sem saber que raios está tocando. Tem o Midomi, é verdade, mas não há espaço para colocar o iPhone entre o fone de ouvido e o tímpano.

Steve Jobs, sempre astuto, quebrou essa pra mim. O Shuffle novo (que me acompanha desde abril) vem com um botão que diz o nome da faixa e do artista responsável por ela. Como meus fornecedores de canções são cuidadosos de ter suas bibliotecas bem organizadas, com o nome da música no lugar do nome do arquivo e o lugar do artista no lugar adequado, quando eu gosto de uma música (ou quando não gosto e quero apaga-la dali), basta apertar o botão para o meu iPod dizer, quase sempre em voz feminina, que raios está tocando.

Ela, a voz do iPod, costuma ir muito bem na pronúncia. Às vezes engasga. Down, down, down, do Neil Young, virou Down, silêncio, down, silêncio, down. Quando vai falar em português, ela tem sotaque portuga. Ãcãbou Chorare, ela disse dias desses. A vantagem da voz em português é que ela é meio rouca. Bem mais interessante do que o timbre limpo da moça que fala inglês. O pessoal que fala francês também vai bem, digo o pessoal porque tem um homem e uma mulher francófonos. E pára por aí. Não houve ainda músicas em outro idiomas na seleção das pessoas que alimentam meu iPod.

PS – Vale a pena ir atrás desse Sam Lucente, o cara da imagem. Leia perfil sobre ele, na Business Week, em inglês, aqui. E veja o que dele tem no acervo do MoMA-NY aqui

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4 Respostas para “Em defesa do shuffle

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