Aqui! aqui! aqui!
Caracteres de casa nova aqui.
Clique em qualquer aqui e vai pra lá. Ou pra aqui mesmo, porque foi só o endereço que mudou.
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As coisas têm estado devagar por aqui porque estamos de mudança. O Caracteres Com Espaço vai mudar de endereço. Estamos empacotando os as, es, is, os e us.
Os Ls eu embalei com os Js e os Ts encaixados nos Us para aproveitar espaço. Assim como Ms e Ns, encaixa a dobra de um na curva do outro, papel-bolha, fita crepe e pronto. Entre os minúsculos, ps e bs vão assim também.
Os Os, eu tô levando que nem bambolê, todos enrolados no corpo e vai rebolando. E os Is amarrados feito um feixe, usando um o minúsculo pra prender bem.
Ss, Zs, Çs e Xs estão separados com cuidado, em caixas etiquetadas, para que não se misturem uns aos outros.
Os Hs, você pode imaginar, esses vão embrulhados em cobertores macios e cheirosos, ninguém chacoalha os Hs. Eu mesma vou levando um a um, cuidadosamente. São os mais mimados.
Enfim, está tudo uma bagunça, caixas empilhadas, letras espalhadas, umas ajudando as outras a achar seu lote.
A mudança é boa, o Caracteres continua independente, mas deixa de ser sozinho. Vai se juntar a outros belos vira-latas, vira-latas de muita estirpe. Depois eu apresento cada um deles com calma.
Em uma semana, no máximo, a mudança terá sido feita e eu chamo você pra um cafezinho na casa nova.
Agora é o fim. Agora acabou. A Nigella… a musa do PornFood, a mulher que definiu o barulho do banco fritando como SEXY. Que ensinou a empanar Oreos. Que lambe os dedos e faz cara de gozo. Ela emagreceu.
Estou de luto.
Ainda em Jericoacoara, tem um restaurante bem normal chamado Tranquilo onde trabalha a garçonete nada normal chamada Vanderlândia. Se há um bar favorito e um restaurante favorito, Vande é minha pessoa favorita de Jeri. Eu poderia contar toda a história, construir a personagem e então chegar ao ápice. Mas o ápice é tão lindo que vou contar só ele.
Foi assim:
Na mesa ao lado, Vanderlândia atendia dois italianos (cheeseburgers e Coca-Cola) quando, do nada, do nada mesmo, suspirou e disse:
- Ai, que lindo.
Os caras olharam com cara de ‘cosa?’. E ela repetiu com um sorrisão:
- Che bello!
E os caras com cara de ‘cosa?’.
Ela virou pra mim, suspirou e mostrou as mãos dizendo:
- Não posso com guardanapo novo. Eles são tão lindos.
Ela estava segurando metade de um pacote de guardanapo de papel, para colocar na mesa dos italianos lambuzados de maionese do cheseburger com Coca-Cola.
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Com a tag Ceará, Jericoacoara, restaurantes, viagem
Não faz nem meia hora eu me vi diante de um desses meus gostos que eu tenho que confirmam pra mim que sim, faça o que eu quiser, vá eu para onde for, sofistique-me, complique-me, requinte-me, sou uma caipira das grossas.
Estou em Jericoacoara e as opções de banho aqui vão do glorioso mar emoldurado por dunas às gloriosas e azuis lagoas emolduradas por dunas passando por outras lagoas e outras praias e terminando na honesta piscina do hotel, cercada por lindas primaveras com flores dos mais distintos tons.
Pois bem hoje, meu último dia aqui nesse paraíso tropical luxuriante, eu fui tomar uma ducha no hotel e abri o sorrisão. Foi, de longe, disparado, sem discussão, o melhor banho que eu tomei. A ducha fica do lado do tanque onde as funcionárias do hotel lavam as coisas. Dá pra ver um canto da duna entre os galhos de um pé de hibisco. O chãozinho da ducha, menor — bem menor — que o box lá de casa é de azulejo amarelinho, em volta é tudo areia. Na frente tem o tal pé de hibisco, no fundo a duna, do lado o tanque e na parede uns vasos com umas plantas dessas de folha mesmo. Eu fiquei feliz com a luz brilhante do fim da tarde e a água fresquinha entrando pela minha cabeleira sem deixar um rastro de areia por onde passa, a água batendo no azulejinho amarelo do chão e respingando depois na areia, o sabão azulzinho descansando no tanque. Foi o melhor banho que tomei em Jeri.
Continuo caipira, faço pouco do mar, prefiro rio e, pra mim, numa casa de veraneio, basta uma boa ducha, um bom chuverão ou um belo dum corguinho.
Não espero ser compreendida nessa caipirice de preferir o chuveiro à exuberante paisagem da praia. Sei que é tosquice pura. Só peço um sorrisinho de ‘que doida’. O Rods, em quem eu pensei umas quinze vezes nesses dez dias de idílio tropical, adora contar pra mim (fingindo que tá contando pros outros) uma história que tem a ver com essa.
Foi assim. A gente foi passar um Réveillon no Rio e pra mim a coisa toda foi uma tortura. Com todo respeito aos amigos cariocas ou que vivem no Rio ou adoram o Rio. Eu não gosto muito de lá não, não por causa de nada de lá especificamente (a cidade é obviamente linda, a comida é deliciosa e tudo e tal), mas é que eu sempre me sinto muito trouxa.
Lá estava eu me sentindo trouxa e talvez ainda mais trouxa por não morrer de amores pela praia, o que me era lembrado a cada vez que, bem, a cada vez que íamos à praia. De manhã, fim de tarde, aquela papagaiada toda. O meu mau-humor só aumentando, aumentando, aumentando. Se não virasse o ano, eu teria explodido a cota de catota espiritual naqueles últimos dias de… de sei lá que ano que era já nem lembro mais.
Pois no dia 1, o primeirinho dia do ano seguinte àquele, o Rods precisava achar uma borracharia pra dar um jeito no pneu do carro dele que tinha estourado na vinda e agora ele precisa arrumar pra volta. Me voluntariei pra ir junto, ele mal acreditou. Saímos da Urca, onde estávamos hospedados, e fomos em busca da missão de achar um borracheiro carioca funcionando na manhã do dia um.
Só isso já me deixava mais bem humorada, em parte pela besta rivalidade entre paulistanos obcecados por trabalho e cariocas (se fosse em São Paulo, meu borracheiro atenderia na hora, certeza, na mesma rua, sem pestanejar, já aqui nessa espécie de selva hedonista… Eu sou super a favor de selva e super a favor do hedonismo, mas essa rivalidade besta é daqueles prazerezinhos deliciosos tipo cutucar pelinha no canto do dedo), em parte pelo aspecto gincana (ache um borracheiro funcionando no Rio na manhã do dia primeiro de janeiro. A prova vale cem pontos, valendo!).
Achamos, o Rods foi lá resolver o pneu e eu fiquei conversando com um guardador de carros gordão, com a maior barriga que eu já vi, e ele me contou coisas maravilhosas do funcionamento do mundo dos guardadores de carro da Lapa, me explicou a rotina dele e como as coisas tinham mudado, vinham mudado e ainda iam mudar mais, porque é assim que é. Eu fiquei lá de trololó, com um humor ensolarado e renovado. E quando o Rods, voltou, pneu colado com chiclete, ficou muito impressionado.
E ele sempre dá um jeito de contar essa história pra alguém na minha frente, como um exemplo ou a. de quanto eu não gosto de praia (o que nem é taaanto verdade assim) ou b. do quanto eu sou esquisita. Mas sempre que ele conta pra alguém essa história na minha frente eu fico com a sensação de que ele tá contando ela de novo pra mim, pra me lembrar de a. como ele gosta de mim por essas coisas e b. quanto eu gosto dele por essas coisas.
Enfim, viva a ducha do lado do tanque! Viva o borracheiro da Lapa! E um grande e ruidoso viva para todas as esquistices minhas, suas, delas, deles e todas.
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Com a tag chuveirão, estilo de vida, férias, Jericoacoara, pneu, praia, Rods, verão
Vai chegando o fim de ano, a pilha vai acabando. Vou tirar uns dias pra recarregar. Tenho pedalado bastante e tá na hora de fazer uma pausa. Vou ali tomar água de coco debaixo do coqueiro e já volto.
Até jajá.
Esses dias fui ao médico, nada grave, dermatologista. Na sala de espera, tocava um jazz bem sala de espera que levou a outra esfera a minha concepção de música de consultório: era uma versão sax melado-bateria wannabe cool de “O Jipe do Padre”, aquela do furo no pneu colado com chiclete.
De plantão, faço a ronda das agências de notícias. Sempre que faço isso acho graça do presunto espanhol. Explico. Veja a notícia que chegou: “Detención provisoria para presunto miembro de ETA detenido en Bélgica”.
Pra mim presunto miembro é miembro muerto. Pra Espanha, é suposto membro.
Plantão é das coisas mais chatas da vida. Mas esse meu está menos chato por dois motivos: 1. estou em boa companhia, com os ótimos Giovanna Montemurro e Gabriel Pinheiro. 2. No próximo sábado, neste horário, estarei esticada em Jericoacoara; e no outro também. Há!
Sempre reinvindico. Daí checo no dicionário e reivindico.
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Essa obviamente não sou eu, mas tá tudo aí. A banheira, a cerveja, a torneira e o chope servido durante o banho
Foi uma experiência espumante. Eu hesitei, por não estar com a depilação em dia. Mas consegui dobrar meus pudores e mergulhar nesse passeio singular. Na viagem que fiz à República Tcheca, uma das paradas foi no bucólico vilarejo de Chodova Plana. Eu fiquei hospedada no Hotel Spa U Sladka. E lá a especialidade é banho de cerveja.
Eu cheguei ao espaço do spa, recebi um lençol branco e fui conduzida ao trocador. Tirei a roupa, me embrulhei no lençol e fui guiada uma banheira metálica cheia de cerveja meio escura. Meu primeiro temor foi ficar com cheiro de Quarta-Feira de Cinzas, aquele odor de cerveja amanhecida. Mas o cheiro não passava nem perto de nada azedo, era meio adocicado até.
O cenário tinha um quê hospitalar, com cortinas separando os ‘leitos’. Entre três cortinas (o outro lado era a parede) havia a banheira metálica com chopeira no lugar da torneira e um banco com um canecão de chope gelado. Me desenrolei do lençol e entrei na banheira de cerveja morna. A espuma da cerveja parece quando você é criança e coloca xampu na banheira pra fazer espuma. Ela dá umas estaladinhas. O banho dura vinte minutos. E quando dá dez minutos a mulher entra ali e troca o chope por um novinho em folha. Cada um tem 500 ml.
Eu nunca vi muita graça em banho de banheira (depois de cinco minutos já fico meio entediada, meio com sono, meio molenga demais). E no caso esse era um banho de banheira com cerveja. Então não há muito pra contar além disso. A parte mais emocinante foi quando, lá pelas tantas, decidi submergir na cerveja pra ver qual é. Foi uma ideia estranha, porque entrou cerveja no meu nariz e escorreu pela garganta de maneira que senti o gosto da cerveja morna lá no fundo da boca.
Era uma cerveja bem diferente mesmo, um pouco doce e menos gasosa. Depois me explicaram que usam uma cerveja só um tiquinho fermentada para o banho. Não é a cerveja feita até o fim. Por isso que não é tão ácida, por isso eu não morri quando aspirei o líquido sem querer pelo nariz (deve arder muito aspirar cerveja de verdade).
Depois de 20 minutos marinando na semi-cerveja, entrou uma mulher bem gradona ali, pegou meu lençol, fez sinal para que eu levantasse e me embrulhou no pano. Deu até uma saudadinha de quando a minha mãe me tirava do banho e me embrulhava na toalha.
Dali, fui direto para o chuveiro, porque meu cabelo ficou um tanto quanto grudento depois do mergulho no chope. Agora, eu tenho notado que ele, meu cabelo, está num momento bom, volumoso, formando uns cachos enfáticos. Pode ser efeito da cevada.
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Com a tag cerveja, estilo de vida, República Tcheca, viagem
O cenário é Praga. Nove da noite, estamos na rua eu e meu amigo de viagem Henri, o holandês bebedor, procurando um pub, o U Pinkasů. Perdidos, paramos uma menina pra pedir informação. Ela não sabe onde é o bar, mas é tão simpática e solícita que liga pra alguém que dá as instruções. Então ela diz:
- Vocês devem descer essa rua aqui. Vocês vão passar em frente ao lugar que faz “fish massage”, depois uma loja de maquiagem, daí tem um túnel. Entra no túnel e o bar está à esquerda. Eu estou indo nessa direção, venham comigo.
Descemos a rua com ela. Ela diz que é búlgara, se chama Anni, ouviu dizer que a presidente do Brasil tem ascendência búlgara e me diz que o nome Rousseff é búlgaro. Repete as instruções. Desce, “fish massage”, loja de maquiagem, túnel.
Desce, “fish massage”, loja de maquiagem, túnel.
Ela se despede porque agora vai em outro sentido. E assim que ela sai de perto eu digo a Henri:
- Podemos concluir que t em búlgaro tem som de sh. É feet massage (nos pés) e não fish (peixe).
Ele assentiu e comentou: é que nem no Brasil, quando vocês falam “leitche”. Então eu começo a fazer piada. Imagina um peixinho, cansado depois da piracema, parando no “fish massage” e dizendo: “minha nadadeira dorsal está me matando”, “estou com as nadadeiras muito tensas”. Rio alto. Henri começa a rir também. E repete minha piada em inglês com sotaque holandês:
- Oh, my dorsal fin is killing me today.
A gente continuou descendo e de longe eu avistei a loja de maquiagem. Olhei para o lado… E não é que era fish massage mesmo.

No dia seguinte, eu contei essa história pro Holger, um alemão com humor inglês, e ele disse: mas que ótima ideia, vocês podiam fazer isso no Brasil com piranhas
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